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Produtos do café da manhã aumentam e pesam o bolso dos consumidores do DF

Café moído e ovos registram alta de mais de 25%, aponta IBGE

Caroline Purificação

13/01/2026 15h49

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Foto: Caroline da Purificação / Jornal de Brasília

Os itens que compõem o café da manhã estão pesando no bolso dos brasilienses. Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que há variações significativas nos preços de produtos como café, ovos, pão francês, pão de queijo e queijo. Apesar da queda de 0,08% em dezembro de 2025, o café moído teve um aumento de 27,47% no Distrito Federal em 2025. Já no Brasil, o crescimento ao longo do ano foi de 35,65%.

Além do café, outro produto com destaque na variação foi o ovo com alta de mais de 27%. Outra subida acentuada foi no pão de queijo, com crescimento de 9,49% no DF e 7,29% no país todo. No entanto, os dados indicam que não é apenas o café em casa que está custando mais caro. Alimentação fora das residências também apresentou uma elevação de 6,96%, conforme os dados do IBGE. 

Apesar dos aumentos registrados, as informações também mostram queda no leite e derivados. As principais baixas foram no leite longa vida (- 9,68%) e na manteiga (- 8,33%). Alimentação e bebidas no geral marcaram crescimento de 3,82% no DF e 2,95% no Brasil.

Para o economista Newton Marques, o aumento dos preços de produtos do café da manhã estão relacionados tanto ao repasse de custos quanto ao comportamento da demanda. “O preço do café tem subido porque caiu a oferta mundial e no Brasil também, mas a demanda não caiu. Assim, o preço fica alto”, explica ele.

Já em relação aos ovos, o economista aponta que a alta está ligada principalmente ao aumento no custo da ração e à pressão da demanda. O produto passou a ser consumido em uma maior quantidade como alternativa às outras proteínas de origem animal, que ficaram mais caras no último ano (mesmo com a redução das exportações para os Estados Unidos). 

Newton alerta que esse cenário afeta de forma ainda mais intensa as famílias de baixa renda, que consomem ovos com mais frequência. “Elas acabam sofrendo mais com a perda de poder de compra sobre proteínas em geral”, diz o economista.

Ele lembra ainda que a agropecuária funciona em ciclos de produção. Em períodos de preços elevados, o setor tende a ampliar a oferta. Mas em um segundo momento, pode gerar excesso de produtos no mercado e levar à queda dos preços. Além disso, em setores menos concorrenciais, aumentos de custos costumam ser repassados diretamente ao consumidor final.

Como estratégia para o consumidor, a orientação é substituir produtos que estejam mais caros ou, quando isso não for possível, reduzir a quantidade consumida. No entanto, o economista ressalta que as famílias de menor renda têm pouca margem de ajuste, já que a renda não acompanha a alta dos preços no curto prazo.  Nesse contexto, segundo ele, resta ao consumidor acompanhar o mercado e aguardar a normalização dos preços.

Especialista comenta alta no café 

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Foto: Caroline da Purificação / Jornal de Brasília

O agrônomo e especialista em café, Marcus Moulaz (foto), explica que a alta dos preços é resultado direto da dinâmica de oferta e demanda, sem influência de especulação. Segundo ele, houve aumento da procura internacional pelo café brasileiro em um momento de restrição da oferta, o que pressionou os preços. “Quando a demanda cresce e a oferta não acompanha, o ajuste do mercado acontece pelo preço”, afirma.

Outro fator citado pelo especialista é que a China passou a consumir mais café brasileiro, após os problemas climáticos enfrentados pelo Vietnã, um outro grande produtor global. Nesse cenário, com menos produto disponível e mais compradores, os preços sobem naturalmente. “Tem café? Não. Mas tem muita gente querendo, então o preço sobe”, diz.

Proprietário do Mercado do Café, na Asa Sul, e com vasta experiência no setor, Marcus relata ao Jornal de Brasília que apesar da valorização do produto, o produtor não está satisfeito. Segundo ele, atualmente, o reconhecimento da alta qualidade do café brasileiro impulsiona a demanda externa, mas o ganho do produtor é limitado pelo forte aumento dos custos.

Ele lembra ainda que a cafeicultura passa por ciclos e já viveu momentos de excesso de oferta e preços muito baixos. “Subiram os insumos, a mão de obra, os impostos. O custo de produção também aumentou. Em regiões como o Sul de Minas, a escassez de trabalhadores tem levado produtores a investir em maquinário, o que encarece ainda mais a atividade”, comenta o agrônomo. 

No varejo de cafés especiais, o impacto da alta já é sentido no bolso. O especialista relata que sacas que custavam cerca de US$ 200 dólares passaram a ser negociadas entre US$ 400 e US$ 430, podendo chegar a valores ainda mais elevados em cafés premiados. Mesmo diante desse cenário, ele diz que nem todo o aumento pode ser repassado ao consumidor final. “Não dá para repassar tudo, porque o consumidor não compra”, explica. 

O especialista também chama atenção para a situação dos pequenos produtores, que muitas vezes operam em áreas reduzidas, mas com alta eficiência. “Não existe pequeno produtor, existem grandes produtores de pequenas áreas”, afirma. Ainda assim, ele destaca que o faturamento bruto não reflete o ganho real, já que há despesas fixas elevadas ao longo de todo o ano. “No fim das contas, o que sobra é bem menos do que parece.”

Para ele, o ponto central do debate não deve ser apenas o aumento do preço final, mas o custo de produção ao longo da cadeia. “O resumo da ópera é que o preço do produto está diretamente ligado ao custo de produção. Combustíveis, frete, mão de obra e insumos agrícolas têm pesado cada vez mais na formação do preço do café”, expõe.

Quem sentiu no bolso

A aposentada Doralice Rocha, que considera o café da manhã a refeição mais importante, sentiu no bolso o aumento dos itens do desjejum. A senhora afirma ao Jornal de Brasília que por conta do aumento no café passou a buscar marcas mais baratas no mercado, mas que não abre mão de pelo menos duas xícaras por dia. 

Doralice comenta também a respeito do aumento nos ovos, que pesou não apenas no café mas também nas outras refeições. “O ovo, que era o mais em conta para nós, também ficou caro. A gente vai cortando daqui e dali para dar conta, mas acaba pesando no fim do mês”, desabafa ela.

João Vitor, 36 anos, autônomo, relatou ao JBr que passou a consumir menos café depois que percebeu a alta nos mercados. Também apaixonado por pães e ovos, passou a controlar mais os gastos do mês com relação ao café da manhã. “Enquanto o preço está tão alto assim, eu apelo para outros produtos para comer de manhã, como frutas. Até tenho buscado receitas de pão para fazer em casa e tentar economizar”.

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