A jornalista e gestora pública Cris Nardes (Republicanos) foi a convidada do JBr Entrevista desta terça-feira (29). Candidata à Câmara Legislativa ela tem como uma de suas bandeiras o endurecimento da fiscalização sobre o uso dos recursos públicos. Ex-secretária de Estado e presidente licenciada da Rede Governança Brasil defende a criação de uma espécie de “Lava Jato do DF”.
Cris Nardes traz na bagagem a experiência de ter liderado o projeto Pronagov (Programa Nacional em Governança Pública), iniciativa que ajudou a implementar práticas de transparência, liderança e controle interno em 447 prefeituras pelo país. O programa contou com o apoio de seu pai, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes. É com base no arcabouço técnico do TCU que ela pretende estruturar sua atração principal na CLDF: a aprovação da Lei da Governança e do Combate à Corrupção no Distrito Federal.
A proposta da “Lava Jato do DF” surge em um momento delicado, marcado por recentes denúncias e investigações veiculadas na imprensa sobre desvios e escândalos de gestão no ecossistema financeiro e político local.
“Eu trouxe com muita seriedade esse tema, porque a gente sabe que estão sendo investigados, segundo alguns veículos de comunicação, 12 deputados distritais em relação a esse escândalo do BRB e do Banco Master, que infelizmente massacrou o Distrito Federal. E eu, como uma candidata a deputada distrital, uma especialista na governança, no combate à corrupção, preciso me posicionar, porque ninguém quer uma candidata em cima do muro para falar sobre uma pauta tão séria”, declarou.
A candidata afirma que adotar uma postura técnica rigorosa em relação aos contratos públicos costuma atrair forte resistência do sistema, lembrando inclusive de sua demissão do governo local no primeiro ano da gestão Ibaneis, quando tentava aplicar filtros de transparência enquanto estava grávida.
“Quando eu comecei a usar essa campanha da Lava Jato no Distrito Federal, rapidamente eu recebi retaliação […]. A gente está aqui tentando defender o dinheiro do povo e tentam nos calar. É muito triste a situação que o Distrito Federal está passando”, desabafou, ressaltando que já apresentou uma agenda de governança para ser incorporada à plataforma da candidata ao Executivo local, Celina Leão (PP).
Creche noturna e CNH gratuita
Para além da pauta de compliance e fiscalização do Executivo, o plano de governo de Nardes — que soma mais de 60 propostas — abrange demandas urgentes na área social, no apoio às mães trabalhadoras e no incentivo ao primeiro emprego.
Um dos principais destaques do plano é o projeto das creches noturnas. A proposta visa atender famílias em que os responsáveis — em especial mães solo — trabalham no comércio, em escalas noturnas ou na jornada de eventos e serviços, ficando sem ter onde deixar as crianças após o horário comercial convencional.
“Eu entendo a dor de uma mãe, que hoje o dinheiro não dá até o final do mês […]. Como é que essa mãe faz? Se não tem vaga na creche, a mãe consegue trabalhar de dia ou de noite? A gente precisa ter um horário que essas mães consigam também ter esses horários alternativos. Possivelmente, o horário de entrada dessas crianças seria das 17h até a virada da noite”, explicou a pré-candidata, mencionando sua experiência prévia de quase uma década apadrinhando creches comunitárias em São Sebastião.
Outra medida de forte apelo social e econômico é o programa de CNH Gratuita voltado para os jovens. A proposta busca expandir as políticas de incentivo e mobilidade para além do passe estudantil, focando no ingresso dos recém-formados ou jovens em busca do primeiro emprego no mercado de trabalho e na economia autônoma.
“Nossa proposta para essa CNH gratuita é para os jovens, para quem vai tirar a primeira carteira de habilitação […]. O jovem traz essa demanda: ‘Cris, eu posso usar o carro do meu pai para fazer um Uber, só que eu não consigo tirar a carteira’. É trazer oportunidade. O projeto da CNH traz essa possibilidade de esse jovem ser, por exemplo, um motorista de aplicativo e ter essa autonomia para caminhar sozinho’, pontuou.