Menu
Estilo de Vida

Assobio viral sai das redes e vira ação solidária na UnB

Trend mobiliza estudantes e inspira competição para arrecadar recursos a alunos de pedagogia

Isabele Mendes

15/05/2026 8h00

img 0137

Foto: Isabele Mendes/ Jornal de Brasília

Uma nova trend tomou conta das redes sociais nos últimos dias e tem mobilizado milhares de usuários. Os chamados “assobiadores”, como se identificam, passaram a compartilhar áudios e vídeos reproduzindo sons por meio do assobio, que vão desde músicas e efeitos sonoros até imitações de animais e trilhas de filmes e jogos.

O movimento ganhou força principalmente em plataformas como TikTok e Instagram, onde vídeos do tipo acumulam milhares de curtidas e compartilhamentos. A prática rapidamente ultrapassou o ambiente individual e passou a se organizar em grupos de WhatsApp, alguns com mais de mil participantes de diferentes regiões do país, conectados por um mesmo propósito: assobiar. Nesses espaços, há regras claras: apenas áudios com assobios são permitidos. Quem descumpre pode ser removido.

Da internet para a universidade

Na Universidade de Brasília (UnB), a trend ganhou um novo significado. Inspirados pela repercussão, estudantes transformaram o fenômeno em uma ação para arrecadar recursos. A iniciativa busca viabilizar a participação de alunos de pedagogia no Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia (ENEP), que será realizado em São Luís (MA), em julho. Foram vendidas paçocas e apitos no local para a arrecadação.

A ideia partiu do estudante de ciência política Victor Almeida, que conheceu a tendência por meio das redes sociais. “Uma amiga me mandou um vídeo no TikTok e, no dia seguinte, já vi muitos outros conteúdos semelhantes no Instagram. A partir disso, percebi que a trend estava crescendo muito rápido”, conta.

Segundo ele, o contato com integrantes do Centro Acadêmico de Pedagogia foi decisivo para transformar a ideia em ação concreta. “Eles estavam buscando formas de arrecadar recursos para a viagem. Quando vi a trend, entendi que poderia ser uma oportunidade”, explica.

Competição e engajamento

A proposta ganhou forma rapidamente. Victor criou uma página no Instagram que atualmente conta com mais de 700 seguidores, os “Assoviadores da UnB”. No grupo de WhatsApp, o número se repete. O segundo passo para tirar a ideia do papel foi o formulário de inscrição para os interessados, nos primeiros dias mais de 70 pessoas demonstraram interesse em participar. Com ajustes de agenda, o número de competidores foi reduzido, e cerca de 20 estudantes estiverem presentes para o campeonato. A plateia não deixou a desejar, mais de 100 pessoas pararam para assistir e votar nos melhores competidores.

Com três modalidades: assobio mais alto, melhor imitação de animal e assobio artístico q a batalha dos assobios terminou com 3 ganhadores. Cada participante contou com cerca de 20 segundos para se apresentar, sendo avaliados pela plateia, que vibrava para escolher o favorito.

A estudantes Priscila Pires foi a ganhadora na categoria “animal” onde apresentou o canto de uma pássaro. “Eu aprendi a assobiar sozinha para perturbar a minha irmã.” Afirma.

Ela ficou sabendo da competição por meio do cunhado, que vendo sua habilidade e facilidade com o som, pediu para que participasse e enviou o Instagram do grupo.

Para o estudante Pablo Antônio, participar de um evento que reune a comunidade acadêmica é sempre muito gratificante. “A iniciativa nos tira do piloto automático das aulas. Nos faz utilizar a universidade como um lugar de entretenimento”, afirma.

Ele contou que aprendeu a assobiar com a mãe, que desde de quando ainda era pequeno a escuta assobiar de uma maneira muito específica e que se tornou familiar em meio a tantos assobios.

História essa que se assemelha com a de Gustavo Siqueira, que aprendeu a assobiar com o irmão e com o pai. “Meu pai chamava os comerciantes na praia com um assobio, com o tempo virou costume lá em casa.”

Mais do que uma trend

Embora a prática tenha viralizado recentemente, o uso do assobio como forma de comunicação não é novidade. Em diferentes partes do mundo, ele já foi utilizado como linguagem estruturada. Na vila de Kuşköy, na Turquia, por exemplo, a chamada “língua dos pássaros” é reconhecida como patrimônio cultural imaterial pela UNESCO. Já na ilha de La Gomera, na Espanha, o assobio é ensinado nas escolas como forma de comunicação tradicional.

Além disso, o recurso também aparece em contextos indígenas e rurais, sendo usado para comunicação à distância ou em ambientes de difícil acesso, como matas.

No caso da UnB, a prática ganhou um novo sentido: unir entretenimento, criatividade e mobilização coletiva. “Foi uma forma diferente de engajar as pessoas e, ao mesmo tempo, contribuir com uma causa importante”, resume Victor.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado