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As delações do caso Master e o risco Pallocci

Vladimir Porfírio

25/03/2026 5h00

banco master e brb

Foto: Banco Master/Divulgação e Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

Segundo antecipado aqui nesta coluna, Vorcaro partiu mesmo para uma delação premiada, para se livrar da cela fria com cama de concreto na penitenciária, influenciando outros personagens como o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. O Ex-chefão do BRB já sinalizou que acompanhará o exemplo do seu suposto comparsa, das supostas operação fraudulentas, que lesaram o banco de Brasilia na aquisição de títulos podres, sem valor, como aqueles que traziam a marca de bancos extintos, como o BESC (banco do Estado de Santa Catarina).

Nos bastidores do Congresso Nacional, inclusive, repercute uma grita pela busca de supostas contra-provas preventivas e álibis, para fazerem frente a uma suposta interminável lista de revelações contra personagens com mandatos eletivos, togas, além de Ciro Nogueira e Antonio Rueda, presidentes dos partidos PP e União, respectivamente.

Para evitar o desinteresse das autoridades por um eventual acordo, depois da consolidação do acordo do banqueiro do banco Master, que avança em suas negociações, Paulo Henrique costa teria apressado uma mudança de postura. Na prática, um despejo grande de dados e provas com a delação de Vorcaro poderia deixar Paulo Henrique Costa com a brocha na mão, sem ter o que delatar.

Embora a defesa de Paulo Henrique Costa sempre tenha negado publicamente a intenção de buscar o caminho de uma delação, a suposta mudança de planos seria resultado do recente estado emocional do ex-presidente do BRB, que teria reclamado de uma impressão de abandono. Segundo estes bastidores, Paulo Henrique Costa teria cobrado que o novo presidente do BRB, Nelson de Souza, estaria ajudando a “cavar sua cova”, por conta da abertura de um novo inquérito contra ele no STF. A queixa do ex-presidente do BRB encrencado tem origem no compartilhamento de informações e documentos da auditoria encomendada por Nelson de Souza, que acabou servindo para fundamentar a abertura de novos e graves procedimentos que apuram decisões da gestão de Paulo Henrique, especialmente no que diz respeito a operações com o Banco Master, que foi liquidado.

Na verdade, o BRB acionou o STF para tentar recuperar cerca de R$ 8 bilhões em recursos do Master que foram entregues ao liquidante do banco, alegando prejuízos bilionários sofridos pela instituição pública. A contundência das revelações fornecidas, entretanto, teria ensejado suspeitas irrecorríveis contra PHC.

Segundo apurações de bastidor, confirmadas por um delegado da PF, os documentos e dados obtidos até aqui deixa a situação de Paulo Henrique Costa muito difícil. Consta que Costa, inclusive, é investigado por suposta participação na falsificação de documentos para ocultar irregularidades na compra de carteiras de crédito do Master pelo BRB. Para se safar dessa e de outras acusações, ele precisaria convencer à justiça de que não sabia da fraude, e que foi mais uma vítima enganada pela estrutura de Vorcaro.

Diante do solo árido para a defesa, passou a brilhar no horizonte a esperança de uma delação premiada do ex-presidente do BRB, junto à PF. Segundo estes mesmos bastidores, a PF, informalmente, teria alertado para a necessidade de uma delação que apresentasse elementos e provas contra o governador Ibaneis Rocha. Ainda segundo esta fonte, não interessaria à PF patrocinar benefícios para o ex-presidente do BRB sem que isso incriminasse o governador do DF. “A delação do PH teria de ser pra baixo e pra cima”, salientou uma fonte.

No círculo político ligado ao grupo governista do DF, é unânime a impressão de que Paulo Henrique Costa não disporia de meios, evidências ou provas para incriminar o Governador Ibaneis Rocha, num eventual acordo de delação. Mas gente que conhece o ex-presidente do BRB garante que, uma vez preso na papuda, dormindo em cama de concreto, Paulo Henrique Costa não descartaria a solução encontrada pelo ex-ministro Antonio Pallocci que, cansado da cadeia em São Jose dos Pinhais, apelou para uma delação tida como inventada e e mentirosa. Um acordo que ,aliás, acabou anulado pela absoluta falta de provas…

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