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Bastidores
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A paz do recesso e a cartada de Lula

Vladimir Porfírio

14/01/2026 5h00

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Foto: Ricardo Stuckert / PR

Lula está apostando na calmaria do recesso parlamentar para reversão das dificuldades do governo no Congresso nacional.

Por essa razão, saíram do lugar algumas demandas de parlamentares. Nessa lista de flores do recesso, destaca-se o destravamento da indicação do nome que vai comandar a CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Se tudo der certo, Lula guarnece demandas do tamanho da manutenção do veto ao PL da dosimetria, virando o voto de umas três ou quatro dezenas de parlamentares que aprovaram a matéria.

No pano de fundo, avança a criação do Ministério da Segurança Pública, que saiu do armário desde do pedido de demissão do ministro da Justiça Ricardo Lewandowski.

Nesta engenharia, a criação do ministério ganha vida própria, Lula evita desgaste pessoal, no estabelecimento de um equilíbrio para reações contrárias e favoráveis a esse novo ministério.

Nessa medida, Lula deixa fluir o trabalho da turma do contra no PT, ao mesmo tempo em que viabiliza um discurso letal para a direita em caso de rejeição à PEC da segurança pública no Congresso Nacional.

Nesse rocambole, a direita seguirá ameaçada pelo ônus de ter sabotado medidas de combate ao crime, em caso de protelação ou rejeição à PEC da segurança pública. Em caso de aprovação, a turma do contra no PT terá de engolir a criação do Ministério para o combate ao crime. Isso porque, ainda no ano passado, Lula alertou aos petistas sobre a necessidade do novo ministério com a aprovação da PEC da segurança pública.

Nessa engenharia para um eventual reposicionamento estratégico, o Lula 3 não chegaria a fazer uma tatuagem de caveira no braço. Mas entraria para história como presidente que criou o ministério devidamente equipado para o combate ao crime no país. Um contexto que, inclusive, invalida a narrativa que cola a digital de Michel Temer na recriação de um Ministério da Segurança Pública. Até porque, o Ministério homônimo, criado por Temer e extinto por Bolsonaro, não contava as ferramentas previstas pela PEC da Segurança pública.

Lula chega ao seu último ano com números favoráveis na geração de emprego, no controle da inflação, na balança de pagamentos, além de garantir dinheiro extra para aproximadamente 25 milhões de brasileiros, que ganham até R$5000 com carteira assinada e não terão mais descontos do imposto de renda no contracheque.

Segundo fontes da parcela do governo que defende a criação do ministério contra o crime, Lula estava formulando uma estratégia de dano zero, quando esta coluna revelou que a proposta de criação do Ministério da Segurança Pública foi mantida sobre a mesa do presidente da República. O argumento a favor do ministério defende que a ideia de que fechar os olhos para o problema da criminalidade custaria mais caro do que enfrentá-lo.

No momento dos primeiros sinais pelo ministério da segurança pública no governo Lula, funcionava como gancho a chancela ocasionada pela unanimidade entre os secretários estaduais de Segurança Pública, reunidos no Consesp. Um consenso raro, quase histórico, que por si só desmonta a narrativa de que o ministério seria uma invenção ideológica ou um improviso eleitoral.

O Consesp, por sua vez, desde a demissão de Levandovski, deixou o papel de formulador para se empenhar na articulação política para o comando do Ministério inevitável. Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, aparece como opção técnica e institucional do colegiado de Secretário de Segurança Pública que, inclusive, apresenta como plano B a indicação de Chico Lucas, secretário de Segurança do Piauí. Nos bastidores, circula ainda o nome de Ricardo Cappelli, pupilo de Flávio Dino e ex-interventor da segurança do DF após os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Um nome que, aliás, vem carregado de muito simbolismo político.

Curiosamente, entretanto, Dino foi um dos que se opuseram ao desmembramento da pasta da Justiça para a criação de um ministério contra o crime. Em outubro de 2023, ele classificou a proposta como um “equívoco”. Mas isso era antes da PEC da segurança pública.

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