Nos bastidores, 100 por cento da República brasileira acompanha com atenção tudo que diz respeito à liquidação do banco Master e o inquérito relatado pelo ministro Dias Toffoli. E não é pra menos. Todos os bastidores indicam a possibilidade de envolvimento de políticos de todas as matizes ideológicas no contexto do que se convencionou chamar áreas de influência do banqueiro Daniel Vorcaro. Algo que, uma vez confirmado, teria o poder de envolver nomes dos três poderes da República, tragados no epicentro do furacão de um escândalo de fraudes bilionárias.
A cada bastidor, uma surpresa. O jornalista leva mais tempo confirmando as informações do que garimpando novidades. Fontes mais informadas, preferem cautela, ressaltando que ainda não dispõe de confirmação definitiva sobre a informação repassada. Mas o repórter não tem outra saída: ou vai atrás da história como pista ou como informação.
A imposição dos sigilos e a gravidade de tudo que já foi confirmado cria um campo fértil para propagação de narrativas desamparadas, e supostas revelações bombásticas. Em outras palavras, nunca foi tão fácil bancar uma Fake News. Ainda que pareça uma informação absurda. Como absurdo foi descobrir que o banco Master tinha alguns poucos milhões de reais no caixa, na véspera da sua liquidação.
Até agora, teve de tudo. Supostos relatos de suspeitos envolvidos com esquema em episódios voando em aviões comprados, outros alugados, além de especulações sobre trocas de mensagens que provocam calafrios e até falta de ar em alguns gabinetes. Boa parte dessas supostas mensagens dizem respeito a negócios ilícitos, combinados por Vorcaro, ou seu cunhado, com chefes de partidos, autoridades ou parlamentares, em supostas comprovações de esquemas de proteção para o esquema criminoso bilionário .
Não faltou estórias de supostos vídeos feitos em festinhas dionisíacas, organizadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, para explicar o empenho pelo sigilo dos arquivos que constam do aparelho de telefone celular do banqueiro. Algo que aproxima o bagunça dos EUA com o Brasil, numa referência aos escândalos envolvendo o presidente Trump, o ex-presidente Clinton, e o milionário Jeffrey Epstein.
Nessa retomada das atividades legislativas do Poder Judiciário, percorreu corredores do poder um diversificado elenco de personagens reais, para supostas relações de causa e efeito, como num roteiro bem amarrado para uma ficção do banco Master, em um dos melhores cinemas da cidade. À boca miúda quase sussurros, repetia-se, por exemplo, que a tese do Código de ética para o Supremo Tribunal Federal entra na conta de um bem que nasceu do mal. Até porque, nas mãos da ministra Cármen Lúcia, a relatoria do Código de ética entra na pista sem a indicação de uma alavanca para a marcha a ré.
Ainda nessa toada, o caso do Master também correu em todo tipo de especulação sobre conveniências decorrentes, além de efeitos colaterais de conveniência. Teve até um que me disse algo sobre uma eventual aposentadoria do ministro Toffoli, funcionando como parte da solução para a indicação do ministro Messias ao STF, abrindo espaço para Rodrigo Pacheco, que já estaria no aquecimento.
A cada semana um dilema diferente. Se há 15 dias a discussão girava em torno da suposta necessidade do caso do banco master descer do Supremo para o primeiro grau, a discussão hoje gira em torno dos seus caminhos para um eventual retorno ao Supremo Tribunal Federal. Isto porque, muita gente questiona a participação do deputado João bacelar da Bahia para justificar o caso master no STF. Hoje, entretanto, pelo andar da carruagem, o mais provável é que o master no primeiro grau revele uma lista robusta de parlamentares envolvidos com o suposto esquema. Algo que, caprichosamente, faria o caso voltar para o STF.
Tudo não passa de especulação, até uma eventual confirmação, na medida do aparecimento de provas materiais confirmadas. Mas enquanto tudo não se esclarece, perdurará a guerra de news e Fake news em torno dos supostos tentáculos criminosos do banqueiro Daniel Vorcaro.