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A cilada das caronas em jatinhos

A cada 4 anos os escaninhos da justiça eleitoral são entupidos pelos casos de abusos do poder econômico com denúncias do deslocamento aéreo

Vladimir Porfírio

21/01/2026 5h59

Foto: Ten. Enilton/FAB

A revelação de uma carona no jatinho do careca do INSS, o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, complica de vez a vida do senador Weverton Rocha do PDT maranhense. A beneficiária do transporte aéreo VIP no padrão 0800 seria a filha do senador pedetista, entre a cidade de São Roque (SP) e Brasília, no último dia 18 de novembro, segundo um funcionário do Careca do INSS em depoimento à PF.

O senador Weverton já vinha enrolando a vida dos seus advogados por conta do espaço aéreo, desde a descoberta de um compartilhamento de outra aeronave, um beech aircraft modelo F90, também usado pelo Careca do INSS. Para se explicar, o senador pedetista jogou o problema no colo do proprietário da aeronave, responsável pelas decisões relacionadas às escolhas desses cotistas. O proprietário em questão é o advogado que defende o lobista no Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga fraude de R$ 6 bilhões na aposentadoria de segurados do INSS.

Para explicar uma suposta proximidade com o senador – apontado como suporte político do esquema de fraudes no INSS -, o lobista admitiu apenas encontros sociais e tratativas para discutir estratégias para a regulação da canabis no Brasil.

Uma fonte da PF garante que essa carona da filha do senador no jatinho do Careca do INSS fecha o cerco contra o Senador maranhense, a partir de um relatório que vai mostrar planilhas, anotações e mensagens de WhatsApp que confirmariam a ligação entre o político e o lobista.

Caso não tenha como desmentir a história que envolve a filha, o senador maranhense tem tudo para ocupar a liderança na lista de políticos alvejados em pleno voo de jatinhos emprestados, como já aconteceu com correligionários.

Em 2011, o já presidente do PDT, ex-ministro Carlos Lupi, foi fotografado desembarcando de um jatinho prefixo PT-ONJ, no Estado do Maranhão. Na época ministro do trabalho, ele negou que tivesse usado o avião que aparece na foto para seus deslocamentos, garantindo que sequer conhecia o empresário que pagou pela gentileza aérea.

Uma versão que acabou criando um constrangimento maior que a carona paga por terceiros a um agente público, visto que o empresário Adair Meira, responsável pelo desembolso, acusou o ministro de mentir ou padecer por problemas de memória.

A cada 4 anos os escaninhos da justiça eleitoral são entupidos pelos casos de abusos do poder econômico com denúncias do deslocamento aéreo de políticos em aviões particulares na disputa pelo voto, como ocorreu com o senador cearense Cid Gomes, em sua campanha para o governo do Estado em 2014, a bordo de uma aeronave que pertencia a uma construtora que tinha contratos milionários com o governo cearense. Uma pataquada que envolveu ainda uma viagem com a mulher e sogra de Cid Gomes, para um país da Europa numa aeronave alugada por R$ 388 mil.

Mas Weverton, Lupi e Cid Gomes não estão sozinhos. Tem muita gente boa nisso. Mas uma única coluna não garantiria o espaço necessário para fechar uma lista com políticos e autoridades que acabaram mal na foto por causa de caronas mal explicadas em jatinhos, num noticiário povoado de justificativas que não convencem e coincidências comprometedoras.

No alto dessas lista de noticias desconfortáveis que resultaram de caronas em jatinhos, destaca-se o recente caso do ministro do STF, Dias Tófolli, que foi ver a final da taça libertadores a bordo de um jatinho na companhia de um advogado do diretor do banco Master. Mas nessa lista do noticiário ruim envolvendo políticos e jatinhos, consta os nomes de Lula, David Alcolumbre, Hugo Motta, Michel Temer, Ricardo Salles, Fernando Pimentel, Nelsi Coguetto Maria, Átila Lira,entre outros.

A crônica das ciladas em caronas de jatinho ainda inclui os inúmeros casos envolvendo os abusos de autoridades no uso de aeronaves da FAB, como na onda tucana que resultou numa ação de improbidade administrativa contra ministros e ex-ministros que foram acusados pelo MP Federal de usar aviões da FAB para um passeio no arquipélago de Fernando de Noronha. Mas isso merece uma coluna especial.

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