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Hélio Doyle

O apertado nó dos salários dos policiais tem de ser desatado

Arquivo Geral

05/08/2016 6h27

Atualizada 04/08/2016 23h28

A possível razão para que os salários dos policiais civis do Distrito Federal sejam equiparados aos dos policiais federais é a origem comum — o antigo Departamento Federal de Segurança Pública, que com a Polícia Militar era responsável pela segurança da capital da República. Mas Polícia Federal com atuação nacional é uma coisa, polícia judiciária de uma unidade da Federação, ainda que capital federal, é outra bem diferente.

A realidade, porém, é que a equiparação existe há 20 anos e é extremamente complicado romper com ela agora. Os policiais civis de Brasília são qualificados, organizados e têm poder de pressão.

E para complicar mais, os policiais e bombeiros militares não aceitam que seja dado aumento aos policiais civis sem que eles também sejam beneficiados. É a velha história: equiparação puxa equiparação, mesmo que sem razão.

Solução precisa ser permanente

Como antes sobravam, no governo de Brasília, dinheiro nos cofres e irresponsabilidade nos gastos, não havia problema em aumentar os salários. Mas agora é hora de o governo pensar bem em como desatar este nó da segurança pública.

Uma solução permanente, e não circunstancial, pois a cidade não pode ser refém eterna de policiais insatisfeitos.

Radicalizar é tiro no pé

Uma coisa é reivindicar e lutar por reivindicações, justas ou não. Outra é tomar decisões radicalizadas que prejudicam a população e desmoralizam o Estado.

Ao partirem para a radicalização, paralisando as atividades em período de Olimpíada, os policiais civis perdem apoio na sociedade. Pode parecer irrelevante para os mais exaltados, mas não é. A instituição é que perde em sua imagem de protetora da população.

É péssimo para a sociedade quando o povo não admira a polícia.

Ridículos e sem criatividade

Os policiais civis poderiam também ter evitado as faixas em inglês. Copiaram seus colegas do Rio de Janeiro, que fizeram protestos no aeroporto para deixar mal o governador de lá perante os turistas estrangeiros. Mas deixaram mal foi o país.

Faixas em inglês são factoides bobos e sem eficácia, a não ser provocar algumas matérias, geralmente tão bobas quanto, na imprensa.

Discursar é só falar

O movimento dos policiais civis é excelente oportunidade para distritais fazerem sua demagogia cotidiana. Não interessa a eles indicar ao governo uma maneira de resolver o problema, se é que têm — querem é acirrar os ânimos e desgastar o governador Rodrigo Rollemberg.

Na assembleia dos policiais estavam lá, no palanque, as maiores expressões da demagogia e do oportunismo político distrital. Não têm a menor ideia de como resolver o problema, querem é se aproveitar do movimento pensando em benefícios eleitorais.

Como aplicar melhor o orçamento

Já que esses distritais estão tão envolvidos na batalha, o governo poderia propor a eles um corte radical nas altas e inúteis despesas da Câmara Legislativa: verbas indenizatórias, gabinetes gigantescos repletos de comissionados, mordomias, compra de automóveis novos de luxo, viagens internacionais para nada e por aí vai.

É tanto dinheiro desperdiçado na Câmara Legislativa que talvez desse para arcar com os aumentos dos policiais.

Uma lição elementar

É claro que todos os trabalhadores têm direito a terem seus salários reajustados e a receberem aumentos salariais quando há um crescimento da produtividade individual ou coletiva.

Mas quando uma empresa não tem como pagar os reajustes e muito menos dar aumento, quem perde são os próprios trabalhadores.

Ou a empresa aumenta os salários de alguns e demite outros, ou, no limite, acaba fechando e todos perdem o emprego. Há inúmeros casos assim.

É como funciona o capitalismo. O que varia de um país para outro é o grau de proteção dos trabalhadores após a demissão.

O Estado voltado para si mesmo

Os servidores públicos fogem desse modelo por terem estabilidade. O Estado não pode demitir alguns para aumentar os salários de outros, como fazem as empresas privadas.

Aí, se o Estado aumenta salários além de suas possibilidades, quem perde é a população: há menos dinheiro para o custeio dos serviços públicos e para investimentos. São reduzidas as despesas na saúde, na educação, na mobilidade, na segurança, na cultura, nos programas sociais.

Se não houver bom senso, em breve o Estado existirá apenas para pagar seus servidores. Deixará de servir à população, especialmente aos mais necessitados, para servir a seus funcionários.

Privilégios injustificáveis

Muitas categorias têm razão ao reclamar da falta de critério do governo ao conceder aumentos a alguns e a outros não. Muitas vezes servidores já bem remunerados, e com poder de pressão, conseguem aumentos que outros, que ganham menos, não conseguem.

Falta um critério que seja aplicado para todos. É difícil, por exemplo, justificar aumentos para os servidores da Câmara Legislativa e do Tribunal de Contas diante do quadro crítico das finanças públicas.

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