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Velvet Buzzsaw, destaque na Netflix, é deboche em forma de filme

Dan Gilroy tem uma carreira minimamente uniforme. Antigamente como roteirista, Gilroy teve altos, médios e baixos momentos como escritor. Porém, em 2014, sua estreia como diretor em O Abutre provou (e surpreendeu) que seu talento estava contido na função errada em Hollywood. Cinco anos depois, o diretor lança Velvet Buzzsaw, filme disponível no live-streaming, que pode ser categorizado como um espelho de O Abutre.

Jake Gyllenhaal em Velvet Buzzsaw. Foto – Divulgação

Parte slasher, parte sátira, Velvet Buzzsaw preenche a tela com o mundo das artes em Miami. Um local onde habitam críticos, consultores, curadores e trabalhadores da arte. Após encontrar obras de um artista falecido, Josephina (Zawe Ashton) resolve divulgar o trabalho póstumo na galeria de Rhodora Haze (Rene Russo). O que a assistente não sabia era do poder sobrenatural que continha no material do artista plástico. 

Como seria esse reflexo? 

O maior mérito de O Abutre foi mostrar os bastidores de uma notícia. Para quem não lembra da trama, a obra prima de Gilroy contava a história de um homem solitário que vendia imagens de crimes para canais de televisão. Assim como O Abutre (que ironizava o ambiente televisivo), Velvet Buzzsaw encontra formas de satirizar o mundo da arte. Desde piadas sobre o que um artista faz até quem as consome. Enquanto o outro filme de Gilroy mostra o making off das notícias de modo repulsivo, Velvet mostra com muita elegância e cinismo este âmbito.

Toni Collette em Velvet Buzzsaw. Foto – Divulgação

Mesmo que tenha dado certo mostrar o avesso de O Abutre, Velvet Buzzsaw é uma pequena demonstração de como Gilroy não está adequado com este circuito. O diretor poderia utilizar bons estoques de figurinos ou cenários em objetivo de enriquecer visualmente o longa-metregem.

Entretanto, vez ou outra é encontrado esses adereços visuais estupendos que permeiam como metafora acontecimentos da narrativa. Com, por exemplo, o momento em que dois personagens debatem a seriedade da arte e é feito um desfoque em pedaços de fezes de plástico em uma estante.

“Sem morte, sem arte” Tatuagem no braço da personagem de Rene Russo. Outro pequeno momento metafórico de Velvet Buzzsaw. Reprodução – Internet

Além disso, existe tanto e ao mesmo tempo quase nada de sustância neste filme que, ironicamente, Velvet Buzzsaw se torna aquilo que mais satirizou: um título que debocha de um mundo fútil mas que ao mesmo tempo é superficial. Propositalmente ou não, é uma experiência interessante, porém longe de ser avassaladora como O Abutre.

 

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