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Shazam e o novo caminho da DC Comics no cinema

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Dentro do cinema, o gênero de herói tem ganhado espaço em proporções exponenciais. Há dez anos, eram lançados cerca de dois a três filmes da categoria. Atualmente, quase cinco filmes de heróis são lançados por ano. Por ora, não existe muita vantagem nisso, até porque muitos já esperam o mesmo do nicho. Para um cineasta ser caprichoso neste universo é preciso reinventar. Dentro de tantas origens de personagens, conflitos, vilões, etc, “Shazam!”, que estreia nos cinemas hoje (4/4) é a perfeita personificação de remodelar um filme de herói.

Para conhecer essa reformulação, é preciso conhecer sobre um termo técnico. Adentrando ainda mais na sétima arte, é possível encontrar traços – como de personalidade – de narrativas. Existe uma expressão americana chamada coming-of-age, que seria uma espécie de “descobertas da idade”. Muito diretores conseguiram fazer excelentes filmes usando esse conceito, como Quase 18 com Hailee Steinfeld, que ironicamente fez Bumblebee (outro grande exemplo de coming of age), As Vantagens de Ser Invísível, O Espetacular Agora e Boyhood – Da Infância à Juventude. O que o roteirista de Shazam! fez foi amarrar esse adereço técnico ao filme de um menino que ganha super poderes ao gritar “Shazam”.

Zachary Levi como Shazam. Foto – Divulgação/Warner Bros

Essa junção de gêneros fez de Shazam! outra imensa demonstração da capacidade da Dc Comics em produzir algo completamente novo. Por mais que na película ainda exista umas piadas “marveletes”, este novo longa-metragem consegue desenvolver os conflitos morais de cada personagem e ainda trazer motivações legítimas para o vilão Doutor Silvana (Mark Strong).

Além disso, Shazam! traz temáticas familiares como nenhum filme de herói levou ao cinema. Sendo possível alternar como muita delicadeza a tonalidade do filme. O que pode ser justificado pela decisão do roteirista em fundir películas “coming-of-age” com heróis.

E a direção?

David F. Sandberg já foi querido da Warner Bros. (e dos críticos) com os filmes Quando as Luzes se Apagam e Annabelle  2: A Criação do Mal e assim como Aquaman, que também foi dirigido por um cineasta do terror, o James Wan, não falta criatividade visual para Shazam. E em alguns momentos, Sandberg faz questão de mostrar seus dotes de terror para personificar seu vilão.

David F. Sandberg dirigindo Zachary Levi e Jack Dylan Grazer. Foto – Divulgação/Warner

Com momentos assutadores que fazem referência os filmes infantis da década de 1980 como Gremlins ou Os Goonies, Shazam! aparenta ter sido feito com bastante carinho, podendo abraçar aquele público da Dc Comics que se viu tão desesperançoso com falhas inacreditáveis como Esquadrão Suicida e Liga da Justiça. Se produtores estão focados em pensar no gosto do público, Shazam! ao lado de Aquaman e Mulher-Maravilha, arpa voos espectaculares para este nicho. Há muitos anos a Dc Comics não mostrava seu lado tão esperançoso e criativo.

 

 


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