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Como This is America, de Childish Gambino relembra as influências do cinema na música

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Se existe uma verdade que muitos sabem é que o cinema inspira diversas áreas. Entre elas, a música, a fotografia, dentre outros. Na fotografia, Annie Leibovitz transporta seus modelos para cenários como O Mágico de Oz e Alice no País das Maravilhas. Na música, Kim Carnes lançou em 1981 a icônica canção Bette Davis Eyes, baseada em outro ícone, a atriz Bette Davis.

Um exemplo mais recente, especificamente na última semana, não se falou em outro assunto senão o videoclipe do cantor Childish Gambino, This Is America. O que tem chamado atenção do público é a temática anti racista tão crua. E mesmo com o ritmo dançante, o cantor despejou um estoque formidável de verdades racistas no clipe. Além da temática, o protesto do artista é recheado de referências, entre elas, assim como a música citada acima, cinematográficas.

Ironicamente, Childish Gambino é o nome artístico do ator Donald Glover assumido em 2011 com o lançamento do álbum Camp. Conhecido pelo seu trabalho em séries e filmes de comédia, Glover usou da sua bagagem pessoal e artística para colocar citações ao vencedor do Oscar por Melhor Roteiro Original, o assustadoramente polêmico Corra!

Outros bons exemplos

Usar a arte como corrente de protesto é algo que fomenta muitos segmentos: o público engajado, os consumidores de cultura e, melhor ainda, os ignorantes. Madonna, em 1989, soube usar sua liderança como cantora feminista na canção Express Yourself. Onde o cinema entra no hino? O videoclipe inteiramente inspirado no clássico expressionista de Fritz Lang, Metropolis. No lugar de homens poderosos, as mulheres assumem o posto de líderes e os homens o proletariado. Tudo isso reflete até nas vestimentas da cantora que, em alguns momentos do vídeo, usa terno.

Madonna como a figura “patriarcal” em Express Yourself

Outros cantores souberam usar disso como divulgação também, como Iggy Azalea em Fancy. Título que tem o filme As Patricinhas de Beverly Hills como cenário. P!NK também usou o recurso em Please Don’t Leave Me, homenageando Stephen King com o filme Louca Obsessão, estrelado por Kathy Bates, mas apenas como chamariz para consumo, sem reflexões políticas.

Iggy Azaleia em Fancy, sem militância, mas com um toque de Hollywood

Estes citados, mas com menos militância e outros inúmeros exemplos representam muito bem como as ideias do cinema transcende qualquer área da cultura. Infelizmente, nem todos souberam fazer o mesmo que Madonna e Donald Glover: unir o cinema e a música como protesto e agregador de muitas áreas e públicos. This Is America já é histórico assim como Express Yourself foi. Ou melhor, como ainda é.

 


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