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Futebol

Zico no Flamengo e em Brasília

Arquivo Geral

02/06/2010 11h15

Vicente Dattoli
da sucursal do Rio de Janeiro

Após ser apresentado pela presidente Patrícia Amorim como novo diretor-executivo de futebol do Flamengo, Zico não perdeu tempo e desembarcou em Brasília, no início da noite de ontem, para o lançamento do DVD que contém imagens e gols de sua carreira. Zico retornou ao Rio de Janeiro na manhã de hoje. Outras informações sobre a passagem do Galinho na capital federal no Jornal de Brasília desta quarta-feira.

 

Não era, nem de longe, o Arthur que pisara na Gávea há mais de 40 anos. O menino de outrora, tímido e franzino, deu lugar a um homem consagrado internacionalmente. A expectativa, porém, talvez seja hoje maior do que naquela época. Desta vez ele não pode errar. Já é famoso. Não é mais o garoto do subúrbio que busca projeção. É o maior ídolo da história da maior torcida do país. Não é mais apenas o Arthur. É o Zico, o Galinho de Quintino, o salvador da pátria – por menos que deseje este chamamento.

 

“Ninguém faz milagre. Sei da minha responsabilidade. Temos que dar melhores condições aos atletas, fazer com que jogadores que não estão aqui saibam o que o Flamengo pode oferecer. Posso dizer, porém, que não estava tudo errado. Ninguém ganha tanto com tudo errado”, afirmou Zico, ouvido com atenção por diversos jornalistas, dirigentes (atuais e antigos) e outros ídolos do Flamengo. Nenhum, porém, com o mesmo carisma e conquistas que ele alcançou com a camisa 10 rubro-negra.

 

Acostumado com a organização que encontrou no exterior, como jogador e treinador, afirmou que seu primeiro desafio será melhorar o Ninho do Urubu. “Nosso primeiro objetivo é tentar terminar o Centro de Treinamento George Helal, no Recreio dos Bandeirantes”, afirmou. “Peço que confiem no trabalho que será executado. Quero deixar um trabalho firme. Venho de peito aberto”, garantiu, pedindo aos torcedores que separem o ex-jogador, ídolo, do dirigente “que começa do zero”.

 

“Tudo o que fiz jamais será apagado. Mas agora eu começo do zero. Quero ser julgado como dirigente. O ídolo ficou para trás”, explicou emocionado, afirmando que tudo o que fará será pensando “no resultado final”. “Quando acabar meu compromisso vamos avaliar o que ficou de bom”, justificou, lembrando que se merecer críticas, espera recebê-las. “Se eu fizer besteira, a torcida tem que reclamar”, garantiu o novo diretor-executivo do futebol rubro-negro.

 

Para a presidenta Patrícia Amorim, a apresentação de Zico como novo cartola do Flamengo “era um momento único”. “Hoje o Flamengo escreve mais um capítulo de sua história. Isso vai resgatar a união política necessária ao clube. O Zico é o ídolo da maior nação do país”, afirmou a dirigente, deixando claro que a chegada do ex-jogador serviria, também, para pacificar as diversas correntes políticas do clube, hoje em visível confronto. “Estamos todos imbuídos de ajudar esse grande profissional a fazer o Flamengo crescer”, concluiu, entregando uma camisa 10 a Zico e brincando que se houver necessidade ele pode “dar uma força no meio de campo”.

 

“Viajo quinta-feira para um evento em Hong Kong. Depois, vou para a África do Sul, num evento da Fifa. Fico por lá para a abertura da Copa e volto para começar meu trabalho”, explicou, lembrando que perto da final do Mundial irá à Disney para dar uma clínica de futebol e, depois, irá se “dedicar 24 horas por dia ao Flamengo”.

 

Zico garante que pretende cumprir seu contrato (que é até o fim do mandato da presidenta Patrícia Amorim, em 2012) integralmente. Ser treinador, porém, não está nos seus planos. “Esquece. Não há a menor possibilidade. O importante é arregaçar as mangas e ver o que pode ser feito”, afirmou, ressaltando que “jogar é muito mais fácil do que ser dirigente”.

 

“Viajei pelo mundo, mas voltando ao Brasil só poderia trabalhar no Flamengo. De coração, jamais deixaria o clube, mas segui minha vida profissional”, revelou, adiantando que nas divisões de base não se importará com a conquista de títulos, mas sim com a formação de jogadores para o profissional. Em cima, porém…

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