Oito anos se passaram desde a fatídica convulsão de Ronaldo Fenômeno e da derrota da seleção brasileira por 3 x 0 para Zidane e companhia na final da Copa do Mundo da França. Às vésperas do reencontro contra os carrascos, desta vez válido pelas quartas-de-final do Mundial da Alemanha, o discurso dos jogadores brasileiros é unânime. Ou quase.
Enquanto Cafu, Juan, Juninho Pernambucano e outros atletas negam o clima de revanche contra os Bleus , Zé Roberto, reserva de Roberto Carlos em 1998 e principal destaque brasileiro em 2006, destoa completamente do grupo e não vê a hora de mandar a França de volta para Paris e, de quebra, aposentar o principal ídolo adversário: Zidane.
"Eu fiz parte do grupo de 1998 e ficou sim a marca, mas ela tem tudo para ser apagada dessa vez. A vida normalmente não nos proporciona a chance de corrigir algo do passado, mas isso acabou voltando e temos que aproveitar a oportunidade", exigiu o camisa 11, que em 1998 teve como companheiros Dida, Cafu, Roberto Carlos, Emerson e Ronaldo.
Mais sereno, o capitão Cafu garantiu que a derrota da penúltima Copa faz parte do passado. "Aquilo pertence à história, é passado. A França foi melhor do que o Brasil e mereceu vencer. Hoje temos outras responsabilidades e não há motivo para levar essa história de vingança para dentro de campo", argumentou o camisa dois.
Para o jogador, recordista em participações com a camisa do Brasil em Copas (19 partidas), o foco principal no momento é dar seqüência ao sonho do hexa. "Precisamos pensar que a França é um grande adversário e que nosso objetivo maior é passar às semifinais", exigiu.
Pensamento semelhante tem Juninho Pernambucano, "espião" ideal do técnico Parreira, já que é ídolo e principal destaque do Lyon. "Meu sentimento é de vencer o jogo e chegar às semifinais, não de revanche. A França mereceu aquela vitória e escreveu a página mais bonita de sua história com o título mundial", opinou o atleta, que pode ser a grande surpresa brasileira para o jogo, desbancando Adriano.
Mero espectador na Copa de 1998, o zagueiro Juan agora é peça fundamental no sistema defensivo brasileiro. Para o camisa quatro, o Brasil já venceu um Mundial depois da derrota para os franceses e isso basta para enterrar qualquer sentimento de vingança.
"São poucos jogadores que estiveram naquela ocasião (seis) e todos sabem que isso já passou. Ninguém vai mudar o resultado daquela partida e esse será um jogo totalmente diferente. Agora o sentimento é de bola pra frente", concluiu.