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Futebol

Xerife do Peixe na Copinha supera morte do pai e sonha com o mundo

Arquivo Geral

05/01/2016 8h00

O Peixe encontrou um adversário duro nesta segunda-feira, que exigiu muito da equipe alvinegra e vendeu caro a vitória por 2 a 1, de virada. Os três pontos colocaram o Santos a um empate da classificação à próxima fase da Copa São Paulo de Futebol Júnior e também revelou um verdadeiro xerife em campo. Aos 19 anos, o beque Bruno Leonardo comandou o setor defensivo do time de Marcos Soares e também brilhou no ataque, marcando o gol de empate, quando o esquadrão pernambucano dominava as ações.

“No começo a equipe estava meio apática, apagada, mas depois foi se encontrando, se acertando. No final tivemos algumas oportunidades de matar o jogo. E acho que a melhora também aconteceu porque o jogo foi mais pegado”, compara o zagueiro, citando as dificuldades do jogo de estreia na Copinha, quando o Santos também sofreu para fazer 1 a 0 no Comercial.

Um dos melhores no campo da Fonte Luminosa, em Araraquara, ao lado dos companheiros Matheus Oliveira e Alessandro, além de Diego Felipe, do América-PE, Bruno Leonardo conta à Gazeta Esportiva um pouco das adversidades que teve de superar para hoje ter a oportunidade de defender uma das maiores equipes do país na principal competição de base do Brasil.

“Eu comecei no Comercial, de Ribeirão Preto, mas lá você tinha que comprar títulos (de associação) para jogar no clube e eu fiquei só porque tinha bolsa. Depois, a gente não tinha condições de pagar e eu fui para o Olé Brasil, também de Ribeirão Preto, mas também não tinha condições de me manter lá por falta de dinheiro. Ai passei pelo Velo Clube, de Rio Claro, e pelo Bahia. Quando saí de lá, um empresário falou que ia me arrumar um clube para jogar. Eu fiz três testes em clubes diferentes e passei em todos. Mas ai ele me trouxe para o Santos”, resume o jogador, com a fala firme, mas sem conseguir esconder a timidez.

Natural de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, com apenas um ano de idade Bruno Leonardo foi morar em São Joaquim da Barra, próximo ao litoral paulista, com a família. Mais velho e único homem de quatro filhos, o jogador sofreu o maior baque de sua vida bem no momento que a maior oportunidade profissional lhe bateu a porta.

“Em 2012 eu cheguei para fazer uma peneira, mas meu pai faleceu. Eu tive que voltar para casa, até porque sou o irmão mais velho, tinha que correr atrás de atestado de óbito, essas coisas. Na semana seguinte eu voltei para Santos de novo e passei no teste”, explica.

Único homem da casa e com quatro mulheres ao seu lado, Bruno Leonardo só tem um objetivo na cabeça. “Dar o mundo para minha família. Dar para minha mãe, para minha família, aquilo que a gente nunca teve condições de ter”.

Apesar de não deter mais a faixa de capitão da equipe santista, o zagueiro admite que a ausência do acessório no braço não mudou sua forma de jogar. “Me sinto, sim (capitão). Fui capitão por bastante tempo. Com a chegada do novo treinador eu deixei de ser, mas sigo com o mesmo estilo”, diz, antes de contar qual atleta representa sua inspiração futebolística.

“Thiago Silva. A liderança e a técnica dele são as caraterísticas que eu costumo me espelhar. Gosto muito do Thiago Silva”, completa.

A Copinha de 2016 é a segunda seguida de Bruno Leonardo pelo Peixe. Independente do sucesso da equipe na competição, o jogador tem convicção que chegou a hora de dar o salto mais importante na carreira de qualquer jogador, que é compor o elenco profissional de um time.

“Penso nisso, sim, e penso que esse é o ano. Estou trabalhando para ser chamado, mesmo que para compor no treinamento. Já estou pronto. Me sinto pronto”, avisa, sem deixar de ressaltar a relevância que o título pode ter nesta caminhada. “O trabalho é feito para subir jogadores, mas o que acaba gerando isso são os títulos. Por isso, é importante ser campeão”, finaliza o xerife santista.

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