Antes do apito inicial do jogo entre Argentina e México, neste sábado, pelas oitavas-de-final da Copa do Mundo, o empresário Gabriel Pinini, 43, estava apreensivo. Contrastava com seus outros quatro amigos que, juntos, foram assistir ao confronto num restaurante argentino da zona de sul de São Paulo. “Estão falando que vamos ganhar fácil, mas não acredito. Vai ser difícil e, se vencermos por um gol de diferença, já estará bom”, dizia.
O nervosismo de Pinini foi transferido para toda torcida presente ali quando Rafa Márquez abriu o placar para os mexicanos logo aos quatro minutos do primeiro tempo. “Arriba, ai ai ai!”, provocavam alguns brasileiros e “secadores” presentes. Porém, apenas cinco minutos depois, foram nossos hermanos que passaram a gritar. Bola cruzada da direita e Borgetti, que marcava Crespo, desviou para fazer contra, gol que a Fifa computou como sendo do atacante argentino.
Vibração e festa alviceleste. “Não é sempre que a gente goleia, como fizemos contra Sérvia e Montenegro. Nosso time também tem sorte”, opinou Alejandro Guzman, 55, em um português quase sem sotaque. “Mas a gente tem que ir para frente, atacar mais”, emendou. No entanto, os minutos restantes do primeiro tempo não reservariam mais nenhuma chance de comemoração.
O segundo tempo começou e a ansiedade dos argentinos foi a mil. Unhas eram roídas e porções de batata-frita devoradas sem que os olhos se desviassem do telão. A esperança de Gabriel Pinini para o segundo tempo tinha nome. Na verdade dois: “Coloca o Carlitos e o Messi”. O técnico Jose Pekerman pôs Tevez aos 30 minutos, enquanto Messi só entrou aos 40.
Quando os dois atacantes tocavam na bola e levavam o time para a frente, homens, mulheres, o gerente e o proprietário do local bradavam em coro e pediam gol. Do outro lado, contudo, a defesa azteca segurava firmemente as investidas adversárias. Riquelme sofria com a sombra da marcação, Tevez não resolvia e Messi, aos 47 da etapa final, teve um gol anulado por impedimento. Prorrogação.
Pinini, com o copo de cerveja (argentina) na mão, confessava que não teria como prever aquilo. “Sabia que iria ser difícil, só que está muito complicado. É o melhor jogo do México na Copa”. Ao final dos 30 minutos de tempo-extra, o empresário saberia que, além de melhor, esta seria a última partida dos mexicanos na Alemanha.
O gol da vitória por 2 x 1 não veio dos pés de Carlitos, nem de Lionel, mas sim de Maxi Rodriguez, aos sete minutos, sucedidos por mais uma boa dose de aflição e unhas roídas. “Vamos, vamos, Argentina! Vamos, vamos, a ganar, que esta barra quilombera no te deja de alentar!”, era o grito de guerra ouvido após o apito final do árbitro suíço Massimo Bussaca.
Aliviado e contente por ter acertado a diferença no marcador, Pinini é logo perguntado sobre qual será o resultado do próximo jogo da seleção argentina, pelas quartas-de-final: “Contra a Alemanha? Hum…depois dessa, prefiro não arriscar palpite nenhum, não”.