A seleção pentacampeã, superfavorita para faturar o caneco na Copa da Alemanha, deixou o Waldstadion, em Frankfurt, como se fosse um time de segunda categoria rebaixado de divisão. Sob vaias e gritos de protesto de cerca de 100 torcedores brasileiros que se aglomeravam perto do portão de saída do estádio, na noite deste sábado, a equipe mais badalada do Mundial deixou o estádio amargando uma eliminação precoce, coincidentemente, na mesma fase de quartas-de-final como acontecera em 1986, no Mexico, contra a mesma França.
Depois da apatia demonstrada em campo e do passeio tático que levaram do time de Zidane, os jogadores tiveram de ouvir o coro dos insatisfeitos na saída do ônibus que levaria a delegação ao hotel. "Vergonha, vergonha, vergonha, time sem vergonha!", "Uh, mercenário, uh, mercenário!" e "Timinho, timinho!" eram as palavras de ordem dos torcedores.
Com a queda, o técnico Carlos Alberto Parreira foi outro nome bastante lembrado pelos torcedores e ainda durante a partida. "Ão, ão, ão, Felipão é seleção!" era outro grito que se ouvia em meio às vaias.
"A primeira preocupação do Parreira era bater recordes. Colocar o Cafu para jogar, fazer o Ronaldo bater o recorde de gols. Ele se preocupou tanto com isso que se esqueceu de formar um time vencedor. O Robinho e o Cicinho tinham tudo para arrebentar nesta Copa e entraram para jogar alguns minutos", criticou o gaúcho Artur Vontobel.
"Faltou comando. Tudo bem perder, mas tem que mostrar raça. Nós fizemos papel de palhaço, dormindo em barraca para economizar dinheiro para pagar 500 euros por um ingresso e ver essa vergonha. O Felipão pode perder um jogo, mas ele morde os dentes e não deixa barato", atacou Gustavo Jobim, de Porto Alegre, que já havia pago 200 euros por um ingresso no jogo das oitavas-de-final, contra Gana.
Para Gelson Zuge, os jogadores brasileiros "acharam que iam ganhar a Copa só com o nome". Ele também criticou a demora de Parreira em mexer na equipe e a falta de vontade do time. "O Robinho poderia ter entrado no final do primeiro tempo. Faltou gana para essa equipe, a França mereceu ganhar", reconheceu.
Pietro Conegato decretou o fim de carreira para alguns jogadores na seleção. "O Parreira não correspondeu à altura do time. Deixou o Ronaldinho fora de posição e insistiu em jogadores como Cafu e Roberto Carlos. Não dá mais para esses dois na seleção. Muita coisa tem que mudar", apontou.
O carioca Rene Granado foi outro que não poupou palavras para definir a eliminação do Brasil. "O time não entrou em campo. Jogar contra cego é fácil, né? Jogar contra Croácia, Japão, Áustralia e Gana é mole. O Brasil perdeu a Copa de 1982, mas não se omitiu no jogo como eles fizeram aqui hoje. Parece até que compraram os caras para não jogar. Que vergonha!", disparou. Revoltas de quem viu um vexame ao vivo.