O Internacional usa o mistério como arma para surpreender o São Paulo no Morumbi quarta-feira (9/8), partida de ida da decisão da Copa Libertadores da América. No primeiro treinamento que comandou em Santos, hoje, o técnico Abel Braga mandou fechar as portas do CT Rei Pelé. Ele só não contava que um espião se atrevesse a burlar sua determinação.
Vestindo o uniforme reserva do São Paulo e se dizendo ex-integrante da seleção brasileira de boxe, um torcedor subiu em uma árvore em frente ao muro do Centro de Treinamento do Peixe e atrapalhou as atividades secretas do Colorado, aos berros de “tetracampeão”. A escalada do tricolor serviu de exemplo para outras pessoas e mesmo à imprensa, até que a segurança do clube gaúcho trouxesse novamente sossego aos jogadores.
No momento que as portas do CT Rei Pelé foram abertas, no entanto, todos os jogadores do Inter se dispuseram a falar sobre a decisão. Os jornalistas puderam conversar com os atletas no gramado, diferentemente do que acontece quando o Santos treina no local. “A gente só faz treino secreto porque o Muricy é um cara que conhece bastante nosso estilo de jogo”, justificou o atacante Rafael Sóbis.
Se o técnico do São Paulo lembra bem dos tempos que comandou o Internacional, os colorados também sabem a maneira do ex-professor trabalhar. Só que não foi necessário informar nada a Abel Braga. “O Muricy não conhece tanto nosso jeito de jogar, mas todos nossos jogadores. Mas, mais do que a gente e o Abel conhecemos ele, só se nós entrássemos na casa dele”, gargalhou Sóbis.
Bronca
O meio-campista Alex, dúvida do Inter para a partida, não gostou da atitude de alguns jornalistas, que, como o torcedor do São Paulo, tentaram espionar o treinamento colorado. “Isso é falta de profissionalismo. A gente não faz isso para esconder as coisas de vocês, mas do São Paulo”, esbravejou o jogador, que não se negou a atender à imprensa.
Quem conseguiu ver alguma coisa da misteriosa atividade do Internacional, porém, não notou nenhuma grande surpresa de Abel Braga. “Não posso dizer o que rolou, mas foi só uma ênfase normal no trabalho que a gente já faz”, desconversou Rafael Sóbis.