Joyce Coelho
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O sonho do jovem Paulo André, 16 anos, tem se realizado aos poucos. Do primeiro contato com a raquete e com a bolinha ao primeiro título, o tenista de família humilde constrói um início promissor no esporte e já sabe o que almejar num futuro próximo: chegar a um Grand Slam, o mais importante evento de tênis do ano.
Paulo André mora no Itapoã e joga tênis desde os nove anos de idade, quando participava do Projeto Forças no Esporte (PROFESP), que busca promover a integração social e o desenvolvimento humano por meio da prática esportiva.
Saiba mais
- O carinho entre técnico e aluno é recíproco. Ambos sempre buscam o melhor um para o outro e destaca a importância. “Ele é meu pai, foi ele que abriu as portas para mim. Me ajudou em todas as dificuldades. Tira dinheiro do próprio bolso para me ajudar. Ele abriu mão de ganhar dinheiro com outros alunos para abraçar minha causa”, relata Paulo André. “Como disse anteriormente, ele tem potencial, sempre me escuta, vejo ele como um filho. Já ajudei com muitas coisas e pretendo ajudar mais, ou melhor, onde estiver ao meu alcance. Garanto que tudo é possível”, elogia Lindoso.
“Nesse tempo, eu jogava futebol. Um certo dia alguns colegas me chamaram para jogar tênis por diversão. Ao final do jogo, o professor me chamou no canto e disse que eu deveria investir no esporte, pois levava jeito”, recorda o atleta.
Ao atingir a idade limite que o Programa permitia, em 2013, seu antigo professor, Chico, procurou Antonio Lindoso, atual técnico de Paulo André. Lindoso conta que o início foi bem complicado.
“Quando Paulo começou a treinar comigo vi seu potencial e que ele realmente levava jeito. Ele chegou aqui desnutrido. Após exames, foi constatado que faltava ferro em seu organismo, que ele estava anêmico. Nesse período nos reunimos e começamos a bancar a alimentação dele”, conta. “Ele sempre foi sincero comigo e disse que mal tinha condição de tomar um café da manhã”, acrescenta.
Mesmo entrando relativamente tarde no meio esportivo, Lindoso acredita no potencial do seu aluno. “Geralmente os atletas começam muito cedo, porém a dedicação dele se torna um diferencial. As dificuldades financeiras também influenciaram, mas ele já conquistou muito e pode conquistar mais ainda”, estimula.
O treinador Iago Guerin, 22 anos, dá todo o suporte para Paulo, voluntariamente. “Quando cheguei, vi o Paulo treinando e percebi que ele tinha uma grande vontade. As atitudes mostravam que ele queria crescer”, descreve.
Ao longo de 4 anos, Paulo André participou em média de 70 torneios. Em outubro de 2015, era o 19º do ranking da Confederação Brasileira de Tênis (CBT). Com apoio conseguiu ganhar algumas seletivas regionais que davam vagas para torneios nacionais maiores. Na Copa das Confederações somou pontos suficientes para atingir o primeiro lugar no ranking nacional. “Meus treinadores me falaram que para eu conseguir algum patrocínio, eu teria que me tornar o número 1 do Brasil em minha categoria. Após algumas lutas e dedicação consegui essa meta”, comemora.
Torcida
Líder do ranking em sua categoria, Paulo André já conta até com torcida durante os jogos. “É legal estar em um campeonato e ver a torcida gritando o seu nome, é gratificante ser reconhecido. Sempre que chego no clube eles gritam meu nome, isso é legal.”
Campanha
Sem patrocínio e com pouco dinheiro para continuar investindo na carreira, Paulo André iniciou um campanha no site “Kickante” para arrecadar fundos. O título da página na internet já deixa claro o objetivo do jovem: “Quero ser tenista profissional”.
Por meio do site, o tenista pretende arrecadar R$ 30 mil. “Os desafios são grandes, os custos são altos, mas tenho o que acho mais importante: a minha vontade e pessoas ao meu redor que confiam em mim; porém preciso de ajuda. Quero me profissionalizar no Tênis. Esse é meu objetivo”, enfatizou Paulo André.
Quem quiser ajudar o jovem tenista, basta entrar no site e contribuir. O valor mínimo da doação é de R$ 10,00 e a campanha acontecerá até 18 de março de 2017.