Mesmo sem o Mineirão (que está fechado para reformas visando à Copa do Mundo de 2014), Cruzeiro e Atlético-MG fizeram um clássico digno da tradição dos dois clubes. Jogando na Arena do Jacaré ‘totalmente azul’, o Galo venceu por 4 a 3 e pôs fim ao jejum de quatro anos sem ganhar do arquirrival no Campeonato Mineiro. O atleticano Diego Tardelli repetiu Obina (que anotou três gols contra a Raposa no Brasileirão do ano passado) e foi o maior herói do dérbi.
O goleiro Renan Ribeiro também foi decisivo na vitória. O jovem de 20 anos defendeu bolas importantes, sobretudo quando o Cruzeiro mandava na partida, e garantiu a liderança provisória do Estadual.
O clássico começou tenso bem antes do apito inicial. Durante a semana, foi acordado entre os clubes que o jogo teria apenas torcedores cruzeirenses. Infelizmente, os mandantes não aproveitaram a oportunidade para apenas empurrar seu time e apedrejaram o ônibus do Atlético-MG, quando este chegou à Arena do Jacaré.
O jogo – O Cruzeiro, fazendo jus ao tabu de não perder para o Galo em partidas válidas pelo Estadual desde 2007, começou o duelo em busca do gol. Aproveitando-se dos espaços na intermediária atleticana, os meias da Raposa passaram a arriscar de longe. Henrique, aos cinco minutos, chutou rasteiro e quase surpreendeu o goleiro Renan Ribeiro.
Poucos minutos depois, Wellington Paulista recebeu de Thiago Ribeiro, mas chutou mal. No entanto, no lance seguinte, o atacante pegou a sobra do chute do argentino Montillo e, com tranquilidade, inaugurou o placar em Sete Lagoas.
Apesar dos ímpetos do Cruzeiro, o Galo também ameaçava. Com maior posse de bola, os comandados do técnico Dorival Júnior chegaram ao empate aos 25 minutos. Após levantamento na área, Léo e Leonardo Silva (que vestiu a camisa celeste nas duas últimas temporadas) se enroscaram e o árbitro Cleisson Veloso Pereira apontou para a marca da cal.
Diego Tardelli não vacilou, deixou tudo igual e, dois minutos depois, apimentou ainda mais o embate. Após passe de Jackson, o atacante ganhou dos zagueiros e furou a meta do goleiro Fábio, que não havia sido vazado na competição até o início da partida.
Com a virada repentina, o Cruzeiro foi em busca do ataque, porém parou no goleiro Renan Ribeiro, que protagonizou várias defesas difíceis, e na trave. Aos 36 minutos, após cruzamento de Montillo, o volante Henrique cabeceou bem, mas parou no poste.
A segunda etapa repetiu a primeira. Ostensivo, o Cruzeiro (que contou com a entrada do meia Roger, após pedidos da torcida) voltou a marcar nos primeiros minutos. Após lindo lançamento de Pablo, Henrique ganhou a dividida dos defensores e deixou tudo igual.
Porém, a alegria dos cruzeirenses durou pouco. Dois minutos depois, Tardelli (que afirmou, antes do jogo, sonhar em repetir o feito de Obina, que fez três gols no clássico do ano passado, no Brasileirão) dominou, girou e chutou forte para transformar o desejo em realidade.
A Raposa esboçou uma reação imediata, mas, aos 26 minutos, o experiente Ricardinho achou Neto Berola, que só teve o trabalho de tirar do alance de Fábio. O tento esfriou o time do treinador Cuca – que estreará na Libertadores na próxima quarta-feira, contra o Estudiantes de La Plata, da Argentina.
Contudo, aos 40 minutos, o zagueiro Gil aproveitou sobra na área, descontou e deu um alento para a torcida celeste, que ainda viu Wellington Paulista carimbar a trave aos 42 minutos. Com o apito final, o Atlético, mesmo sem torcida, saiu da Arena do Jacaré com 4 a 3 no placar e aliviado por ter findado o incômodo tabu.
Com o triunfo, o Galo, atual campeão, dormirá na liderança do Estadual, porém pode ser ultrapassado no domingo caso o Guarani, de Divinópolis, vença o Uberaba.
Em Juiz de Fora, Tupi também vence por 4 a 3.
Não foi o clássico da capital, mas foi tão emocionante quanto. Jogando em casa, o Tupi teve de suar para bater o Democrata, de Sete Lagoas, por 4 a 3. Edílson, Michel, Felipe Cordeiro e Rafael foram os autores dos gols do time da casa.