A assessoria de imprensa do Corinthians anunciou na tarde de quarta-feira que os jogadores do Corinthians haviam decidido encerrar a greve de silêncio instituída há cerca de 30 dias. Como de praxe, os jornalistas que compareceram ao treino da equipe na manhã desta quinta solicitaram dois atletas para as entrevistas. Os escolhidos foram Fagner e Wilson, que não integravam o grupo à época do manifesto contra a imprensa.
As entrevistas, no entanto, não aconteceram. Depois de mais de uma hora de espera, quem apareceu na sala de imprensa foi o técnico Emerson Leão, sob a justificativa de que não poderia conversar com os jornalistas na sexta-feira, como sempre faz, por ter compromissos logo após o treino.
Depois de a entrevista com o treinador, os repórteres ficaram mais alguns minutos à espera de Fagner e William. Mas, em vez dos garotos, surgiram na sala de imprensa o goleiro Johnny Herrera, os zagueiros Sebá, Betão e Marinho e o meia Roger. Betão, capitão do time, abriu o depoimento dizendo que os jogadores iriam manter a greve de silêncio por tempo indeterminado devido a “novas inverdades” que teriam sido veiculadas.
“Primeiramente, a gente queria se desculpar com alguns que foram atingidos por nossa atitude e estamos aqui provando a todos que somos homens. Voltamos a vencer, provando que não havia falta de caráter, e gostaríamos de voltar a dar entrevistas. Mas, infelizmente, na data de ontem tiveram pessoas que continuaram fazendo piada e contando história após anunciarmos que voltaríamos a falar”, discursou.
As novas insatisfações dos atletas são com relação às especulações de que a greve tinha sido articulada pelo volante Magrão e o técnico Leão. Além disso, os representantes do grupo disseram que “foram informados” que um jornalista havia dito que o fim da greve de silêncio aconteceu por interesse de alguns atletas em aparecer para permanecer no Corinthians em 2007.
“Queria deixar bem claro que essa foi uma atitude do grupo, não do Magrão ou do Leão. Tudo isso é mentira. Nos reunimos e chegamos a uma decisão. Ontem tomamos uma outra decisão, mas ouvimos que só voltamos a falar para renovar contrato. Se eu não jogar bola e merecer a renovação, não adianta nada falar. Até porque não vou pedir para renovar meu contrato por entrevistas. Foi mais uma inverdade que saiu e, por causa de ontem, vamos manter nossa posição inicial”, comentou Marinho, um dos atletas cujo contrato se encerra neste fim de ano.
Roger foi o último a discursar. “Alguns jogadores ficaram chateados com o que saiu ontem. O grupo inteiro ficou chateado com essas novas inverdades e viemos aqui apenas esclarecer o nosso pensamento. Isso não é relacionado à toda imprensa. Foi uma decisão tomada para unir mais o grupo e sabemos que a maioria de vocês é capacitada e procura passar a verdade aos seus leitores, ouvintes e telespectadores. Nós realmente queremos voltar a falar, mas queremos tomar uma decisão unânime e não queremos manter essa postura (de silêncio) até o fim do campeonato.
Depois, os atletas ouviram a justificativa de um dos repórteres citado e também o desabafo de um outro jornalista, que citou um trecho do manifesto assinado para os atletas para dizer que se sentia ofendido, ressaltando que nunca inventou uma notícia em décadas de profissão. “Esse é o meu comunicado e também não quero fazer nenhuma pergunta a vocês”, encerrou.