A seleção de Sérvia e Montenegro foi o espelho do seu próprio grupo na Copa do Mundo 2006. O grupo C, considerado “da Morte”, prometia ser o mais disputada do torneio e acabou decepcionando. Teve Argentina, em primeiro lugar, com sete pontos, Holanda em segundo, também com sete (saldo de gols menor), e Costa do Marfim, com três, em terceiro lugar. Na lanterna, sem nenhum pontinho, ficaram os sérvios.
O time dos Bálcãs, comandados pelo técnico Ilija Petkovic, perdeu para os holandeses na estréia por 1 x 0, foi humilhado pelos argentinos com uma goleada por 6 x 0 na segunda rodada e se despediu com uma derrota de virada, por 3 x 2, contra os marfinenses. O trauma foi ainda maior, pois a Sérvia tinha como principal trunfo o sólido esquema defensivo, que sofrera apenas um gol em seis partidas disputadas pelas Eliminatórias européias.
A ruína, porém, começou a se desenhar semanas antes da estréia na Copa. No dia 21 de maio, os jogadores foram informados de que, em referendo, 55,4% dos montenegrinos votaram a favor da separação do país, unido à Sérvia desde 2003. Apesar de os dirigentes negarem que o fato tivesse atrapalhado a seleção, os atletas não esconderam a decepção. Savo Milosevic, por exemplo, afirmou que dedicaria seus gols apenas aos sérvios.
Outro problema foi a convocação de Dusan Petkovic, para o lugar do atacante Mirko Vucinic, cortado por causa de uma contusão no joelho esquerdo. Pelo fato de ser filho do técnico, tanto Ilija, quando Dusan passaram a sofrer enorme pressão da imprensa e da torcida do país. Na semana do jogo contra a Holanda, Dusan abandonou a seleção. Como a Fifa só permite que um jogador seja convocado de última hora em caso de lesão, Ilija teve que se virar com 22 nomes.
Na fraquíssima campanha, poucos jogadores se destacaram. O jovem zagueiro Vidic, de 23 anos, titular em praticamente toda a campanha das Eliminatórias, foi cortado logo na primeira semana do torneio por contusão. O meio-campista Dejan Stankovic, da Inter de Milão, pouco apareceu nos três jogos do time, enquanto os atacantes Mateja Kezman e Savo Milosevic, que se despediu da seleção, passaram em branco.
Este foi o primeiro e último Mundial de Sérvia e Montenegro com a, não mais, atual configuração política e geográfica do país. Desta equipe, somente o goleiro Dragoslav Jevric nasceu na província do mar Adriático, que terá que garimpar nomes para montar uma seleção competitiva. Já o técnico sérvio Ilija Petkovic não agüentou a pressão e anunciou seu desligamento do cargo.