Proprietário da produtora Canal Azul, responsável pelos filmes oficiais dos centenários do Santos e do Corinthians, Ricardo Aidar prefere não revelar seu time de coração. Ele já tem contrato assinado com o Palmeiras para produzir a obra comemorativa aos 100 anos do clube e, desta forma, reunirá os três mais antigos entre os grandes de São Paulo.
“Na verdade, torço pelo bom futebol. Adoro o bom futebol”, desconversou Aidar quando questionado sobre sua preferência clubística. “Frequento estádios desde os 7 anos e acompanhei muito todos esses times, o Santos, o Corinthians e o Palmeiras. Gosto muito da história do futebol, é uma coisa que já está no meu DNA”, completou.
Fundada em 1995, a Canal Azul investiu prioritariamente em produções ligadas ao meio-ambiente até 2009, quando lançou, em conjunto com a Fox Home Entertainment, o projeto “O País do Futebol”. Desde então, Aidar sentiu o potencial do mercado e resolveu explorá-lo.
“Surgiu uma oportunidade com o Corinthians de fazer uma trilogia e, a partir do primeiro filme que produzimos, sobre o título paulista de 1977, percebemos que é um nicho de mercado ainda pouco ocupado e com uma estrada grande a percorrer”, explicou o produtor.
A empresa de Ricardo Aidar iniciou sua associação com clubes de futebol ao lado do Corinthians com “23 anos em 7 Segundos: 1977 – O Fim do Jejum Corinthiano”. Na sequência, produziu “Todo Poderoso: O Filme – 100 Anos de Timão” e “4 X Timão – A Conquista do Tetra Corinthiano”.
Nesta semana, a produtora lançou “Santos, 100 Anos de Futebol Arte”, com orçamento de R$ 2,2 milhões. O filme é o primeiro de mais uma trilogia que inclui “Meninos da Vila – A Magia do Santos”, já parcialmente concluído, e “Santos de Todos os Gols”, previsto para 2014.
A Canal Azul ainda tem uma nova trilogia acertada com o Palmeiras. A primeira obra será “12 de Junho de 1993”, dedicada à quebra do jejum de títulos diante do Corinthians. Em seguida, estão previstos filmes em homenagem ao título da Copa Libertadores de 1999 e ao centenário, em 2014, todos dirigidos por Mauro Beting e Jaime Queiroz.
No lançamento do filme dedicado ao centenário do Santos, sentado ao lado de Odílio Rodrigues, vice-presidente do clube, Ricardo Aidar elogiou os diretores do Peixe e citou a colaboração como fundamental. Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro viu a obra antes de sua conclusão, mas Lina Chamie, diretora do longa-metragem, garantiu que não houve qualquer tipo de interferência.
Os filmes ligados aos clubes têm uma produção complexa. Além de revirar arquivos em busca de imagens antigas, é necessário administrar os direitos autorais e de imagem. O ex-jogador Coutinho, por exemplo, se recusou a liberar sua entrevista para o longa-metragem sobre o Peixe.
A obra do centenário do Santos teve sua primeira exibição aberta ao público como integrante da programação especial do festival “É Tudo Verdade”. Diante da proliferação dos filmes sobre futebol nos últimos anos, Amir Labaki, fundador e diretor da mostra, espera receber novos trabalhos no futuro.
“A gente não tem uma tradição no Brasil de fazer bons filmes sobre futebol. O último grande filme do gênero talvez tenha sido a trilogia ‘Futebol’, do João Moreira Salles e do Artur Fontes [de 1998]. Espero que no futuro não estejamos falando só sobre um filme de futebol no ‘É Tudo Verdade’, mas sim de três ou quatro”, encerrou.