Ao término das oitavas-de-final, Zé Roberto aparece como um dos três principais candidatos à chuteira de ouro. Após o jogo contra Gana, o seu terceiro nesta Copa, ele entrou para o seleto grupo de jogadores eleitos duas vezes como o “melhor em campo” pela Fifa na competição. Como Robben (Holanda), Frei (Suíça) e Delgado (Equador) já estão eliminados, Miroslav Klose (Alemanha) e Patrick Vieira (França) são seus principais concorrentes até agora. O volante brasileiro, no entanto, fez um jogo a menos do que os rivais.
Aos 31 anos, onze dedicados à seleção brasileira, Zé Roberto chegou discretamente à Alemanha, país onde é ídolo. Antes do início da Copa, em meio a outras estrelas, ele era citado apenas como um simples carregador de piano da seleção de Parreira. Porém, o jogo virou quando o “quadrado mágico” não brilhou e Ronaldinho Gaúcho, eleito o melhor do mundo nas duas últimas temporadas, não conseguiu mostrar nem sequer um lampejo de genialidade até agora.
Coube ao humilde Zé Roberto se tornar o destaque da criticada seleção nacional. Logo ele que nunca fez marketing, começou na tímida Portuguesa de Desportos e dá entrevistas com a voz baixa e em ritmo lento. Em campo no entanto, ele marca bem, passa ainda melhor, corre os 90 minutos e agora está fazendo ainda mais.
"O jogo contra Gana foi especial. A gente se classificou, fui eleito pela segunda vez o melhor em campo e ainda fiz um gol. Não é fácil jogar lá atrás e ainda marcar um gol", disse Zé Roberto, cujo contrato com o Bayern de Munique expira na próxima sexta-feira, deixando-o livre para negociar com qualquer clube do mundo.
Mesmo tendo sido poupado do jogo contra o Japão, Zé Roberto segue entre os maiores "ladrões de bola" da Copa. Com 17 desarmes, ele é o 12º melhor marcador do Mundial, mesmo tendo atuado 100 minutos a menos do que o primeiro colocado: Tymoschuk, da Ucrânia, que roubou 24 bolas até agora.
"Sei que não preciso provar nada para ninguém. Meus números e as estatísticas mostram tudo. Este meu momento serve para calar a boca de muitos críticos que não vêem o nosso trabalho. Quando você é sério, colhe bons frutos. Eu procuro sempre manter o rendimento em bom nível, mas, às vezes, não sou reconhecido", desabafou o meia.
Enquanto ninguém ousa questionar a permanência de Ronaldinho Gaúcho no time, após quatro jogos ruins do camisa 10, Zé Roberto se irritou com a diferença de tratamento. O volante acredita ter sido alvo de uma campanha injusta por parte da imprensa e da torcida.
"Fiquei chateado por ter ficado de fora do último jogo e o pessoal cobrar minha saída para essa partida também. Eu vinha como o melhor em campo (jogo contra a Austrália) e não merecia esse questionamento e essas críticas. Fecho com chave de ouro mais essa fase na minha vida, mas o objetivo final ainda está por vir, que é o título da Copa do Mundo", completou Zé Roberto, que jogou a Copa de 1998, mas acabou esquecido por Felipão em 2002.