Depois de manter Muricy Ramalho por três anos e meio entre 2006 e 2009, o São Paulo segurou Ricardo Gomes por 13 meses até ser eliminado na semifinal da Libertadores em agosto de 2010. Desde então, a diretoria, que se gabava por projetos de longo prazo, abdicou do trabalho de três técnicos em 14 meses. O planejamento mudou de nome, mas o clube ainda é atrativo.
Com a necessidade de dar motivação a um elenco considerado de alta qualidade a tempo de garantir, ao menos, uma vaga na Libertadores por meio do Brasileiro ou da Copa Sul-americana, surgem nomes conhecidos por mexer com o brio dos atletas. Um deles é Jorginho, ex-auxiliar de Dunga na Seleção Brasileira e que hoje está no Figueirense. Outro é Emerson Leão, desempregado e indicado pelo ex-superintendente geral Marco Aurélio Cunha.
O ex-goleiro, que foi campeão paulista pelo Tricolor em 2005 e montou a base que venceu a Libertadores e o Mundial naquele ano, disse que aceitaria voltar à equipe. À época, ele deixou o clube alegando precisar ajudar um amigo e ir para o futebol japonês logo após o título estadual. “Recebi propostas, mas não achei interessante aceitar. Uma proposta do São Paulo é de se analisar, não só para mim, mas para qualquer outro treinador”, disse Leão à GE.Net.
A favor do técnico, sem clube desde sua saída do Goiás há mais de um ano, está o fato de não precisar de referências de fora. “O presidente e os diretores do São Paulo me conhecem, sabem o que fiz quando estive lá. Nos últimos dias, depois da saída do Adilson, vou aos lugares e são-paulinos falam comigo, lembram do meu trabalho. É sinal de que deixei saudade. Eu me sinto lisonjeado”, comentou.
Adilson Batista, o último a ser demitido, saiu por não agradar à torcida e nem ter resultados que o segurassem. Paulo César Carpegiani, seu antecessor, chegou credenciado pelo trabalho anterior no Morumbi, 11 anos antes – e caiu, de novo, por falta de títulos. Já Sérgio Baresi, substituto de Ricardo Gomes, veio das categorias de base, promoveu jovens como Lucas e retornou aos juniores por inexperiência e resultados ruins.
Todos com perfis e saída distintas. A diretoria, porém, não aceita o termo “erro” em nenhum dos casos. “Não é falha de planejamento. É correção de rumo. O São Paulo tem inteligência suficiente para fazer isso quando há necessidade. Todos tiveram oportunidades e temos dado mais tempo de trabalho do que a maioria dos outros clubes”, defendeu-se o vice-presidente João Paulo de Jesus Lopes.