Os jogadores do Santos se manifestaram na tarde desta terça-feira sobre a decisão da Secretária de Segurança Pública de São Paulo de liberar apenas a torcida mandante nos próximos clássicos paulistas até o fim do ano. A medida foi anunciada na noite de segunda-feira, dia seguinte aos quatro confrontos entre corintianos e palmeirenses que resultou na morte de um homem que sequer era torcedor.
“É ruim para o espetáculo. É triste”, comentou o jovem Vitor Bueno. “Isso ai deixa a imagem muito ruim no futebol. Se a Federação decidiu fazer isso, tomara que seja para o bem do futebol. Infelizmente, não vão ter as duas torcidas, aquela rivalidade gostosa. Acho que não teria que ser assim, mas, infelizmente, têm vândalos, bandidos que vêm. E isso entristece a todos”, emendou Rafael Longuine.
Um dos líder do elenco santista e de volta ao time, David Braz chama atenção para o fato das brigas não acontecerem dentro do estádio de futebol e dos times visitantes não ter com quem comemorar os gols.
“Ficamos tristes. Ano passado jogamos contra o Corinthians na Arena e (os torcedores) nos ajudaram bastante. Vencemos lá. Vencemos no Morumbi, o torcedor compareceu. Mas, por outro lado, tinha que ser feito algo. Essa foi a decisão das autoridades. Espero que ajude. Tem que tomar cuidado com redes sociais, onde se marca encontro fora do estádio. Não sei se vai ajudar só fazer isso. Mas tem que fazer algo. Nós, jogadores, estamos tristes em não contar com a torcida na casa do adversário”, opinou o zagueiro.
“Infelizmente, não contar com o torcedor fora de casa vai ser ruim para quem está em campo. É o espetáculo acaba sendo punido. Não tem com quem comemorar. Tem que ser revisto e ver se vai ajudar. As pessoas que fazem isso não são torcedores”, salientou Braz.
Léo Cittadini e Zeca também entendem que as autoridades precisam tomar alguma atitude para coibir a violência entre os torcedores organizados, mas não a torcida única como uma solução inteligente para o problema.
“É uma coisa muito triste para o futebol. Um clássico, ainda mais paulista, tinha que ter duas torcidas, pois engrandece o clássico. Infelizmente, hoje em dia tem muitos torcedores que não conseguem torcer. Vão só para arrumar confusão”, comentou Cittadini.
“É bom e ruim. É bom pelas famílias que levam torcida para o estádio. Eles não têm nada a ver com isso. Tem que acabar com isso. As torcidas têm que ir para torcer. Torcedor adversário tem que sentar lado a lado sem brigar, como é na Europa. Temos que mudar essa realidade. Tem que ser diferente no Brasil. Podemos mudar. Não adianta só torcida única”, reiterou Zeca.