Após quase ser rebaixado no Campeonato Brasileiro de 2014, Paulo Nobre garantiu que seu segundo biênio como presidente do Palmeiras seria totalmente diferente. Cumpriu sua promessa. O departamento de futebol se reformulou completamente, incluindo diretoria, comissão técnica, jogadores e até estrutura física. Até a camisa, antes sem patrocinadores, passou a valer R$ 50 milhões anuais pagos por seus anunciantes. E foi na primeira temporada completa no renovado Palestra Itália que o time conquistou a Copa do Brasil, formando ídolos.
Pela primeira vez desde 2009, o Verdão teve sua casa durante uma temporada completa, e fez do estádio um lar de alegrias. Bem diferente do ambiente com gritos de “time sem vergonha” após os fracassos no Palestra Itália nas duas últimas rodadas do Brasileiro de 2014. O time se acostumou a ter a arena cheia, e a transformou em trunfo para conquistar a Copa do Brasil. Ampliando a vantagem como maior campeão nacional do futebol brasileiro – são oito Brasileiros, três Copas do Brasil e a Copa dos Campeões de 2000.
Foi no estádio que foram consagrados novos ídolos. Antes mesmo de pegar pênalti e converter o da conquista, Fernando Prass já era um bandeirão erguido por cordas na entrada do time na decisão contra o Santos. O goleiro, incontestavelmente, entrou na galeria de atletas no coração da torcida. Marcos, que virou busto ao lado do também ex-goleiro Oberdan Cattani neste ano, é um dos que mais saudaram o camisa 1 atual.
O ano serviu ainda para Dudu, exaltado inicialmente por vestir alviverde após ser cobiçado por Corinthians e São Paulo, deixar de ser o vilão do Campeonato Paulista, quando perdeu pênalti e foi expulso empurrando o árbitro nas finais (cumpriu seis jogos de suspensão no Brasileiro pela agressão), e se tornar herói, com dois gols na decisão da Copa do Brasil. A temporada ainda teve Robinho fazendo dois golaços de cobertura sobre Rogério Ceni e Cristaldo como xodó e artilheiro.
Reflexo da reformulação intensa. José Carlos Brunoro saiu, com seu cargo de diretor executivo extinto. Também foram dispensados o gerente de futebol Omar Feitosa, o técnico Dorival Júnior e toda a sua comissão. A aposta foi em Alexandre Mattos, que virou diretor de futebol após fazer o Cruzeiro bicampeão brasileiro. O dirigente chegou com Cícero Souza, novo gerente, e comandou mudanças até estruturais, incluindo o antes criticado setor de recuperação física.
Inicialmente, coube a Oswaldo de Oliveira ficar à frente do time. O técnico começou a receber as contratações, que chegaram a 25 até o fim da temporada, e demorou a ter regularidade durante o Paulista. Mas chegou à final estadual batendo o Corinthians na semifinal, nos pênaltis, em Itaquera. Também nas penalidades, porém, perdeu o título para o Santos.

No Brasileiro, Oswaldo teve sobrevida na convincente vitória por 2 a 0 no Derby em Itaquera. Mas a equipe não encantava, tanto que não foi além de um 0 a 0 diante do ASA, no Palestra Itália, pela Copa do Brasil, por exemplo. Acabou trocado em junho por Marcelo Oliveira, que perdeu sua estreia (1 a 0 para o Grêmio no Sul). Contudo, logo encaixou uma sequência de sete vitórias e um empate, levando o time à terceira colocação do Brasileiro.
O time que se encaixou com Marcelo Oliveira, entretanto, começou a ser desmontado na última semana de julho, quando o volante Gabriel rompeu ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo e perdeu o resto da temporada. Com as frequentes lesões de Arouca e Robinho, o time fez um segundo turno sofrível, mas encontrou em Gabriel Jesus, de 18 anos, e na entrada de Lucas Barrios o caminho do título da Copa do Brasil.
No ano em que, enfim, Valdivia deixou o clube, Zé Roberto foi a experiência que o time precisou. Antes da estreia no Campeonato Paulista, em janeiro, o veterano chamou atenção com a preleção em que fez os colegas repetirem uns para os outros que “o Palmeiras é grande”. Ao final da temporada, o capitão que ergueu o troféu da Copa do Brasil corrigiu seu discurso: “O Palmeiras é gigante”.