
Quando desembarcou no rubro-negro carioca, Deivid veio como contratação indicada por Zico, que o comandou no Fenerbahçe da Turquia. Mas, com o passar do tempo, o jogador acumulou algumas frustrações em seu clube do coração.
Problemas como atraso de salário, atuações abaixo do esperado e uma saída conturbada foram contrastes de uma carreira repleta de títulos por onde o atacante passou.
Os títulos de campeão da Copa do Brasil (Corinthians 2002) e bicampeão brasileiro (Cruzeiro em 2003 e Santos em 2004) fazem parte do currículo do artilheiro que, em entrevista exclusiva ao Jornal de Brasília falou sobre sua atual fase no Coritiba, onde reencontrou o bom futebol ao lado de um velho companheiro, o meia Alex. A dupla de sucesso conquistou o primeiro Brasileirão de Deivid e atuou durante anos no futebol da Turquia. O jogador também abordou a expectativa sobre a partida de sábado, contra seu ex-clube, o Flamengo.
No clube paranaense desde o ano passado, como você avalia o atual momento do Coritiba?
Estamos bem. Fomos tetracampeões do Paranaense, um fato que não acontecia com o clube a muitos anos. Agora o time está liderando o brasileiro. Estamos focados e nosso pensamento é vencer, teremos uma sequência de cinco jogos importantes.
Essa é só uma grande fase do clube ou é possível pensar em título no Brasileirão?
Temos totais condições. Sabemos da dificuldade, mas, esse é um grupo experiente e que quer entrar na história do clube.
O que você espera neste próximo confronto com o Flamengo? Não é nenhuma novidade encontrar seu ex-clube?
Tem tudo para ser um ótimo jogo. São duas equipes que jogam para frente e o Flamengo sempre vai jogar em casa. Independentemente do lugar, a torcida vai apoiar o Flamengo, mas acreditamos na vitória.
Como é poder reeditar a dupla com Alex, que fez tanto sucesso no Cruzeiro, campeão brasileiro de 2003, e no Fenerbahçe da Turquia?
Até o momento tem dado muito certo. Mesmo que nossas idades, eu com 34 e Alex com 37, não nos ajudem com tanto vigor físico, a gente tem se entendido com a molecada.
Mas a idade não parece estar atrapalhando vocês dois?
Claro que não. Estamos em sintonia e isso um jogador de futebol nunca vai perder.
Depois de atuar em clubes do eixo Rio-São Paulo, você tem vontade de voltar a jogar lá?
Não penso ainda. Estou muito feliz por jogar aqui no Coritiba e nunca fui um jogador que não honra a camisa. Hoje estou aqui e espero contribuir para que o Coritiba se torne bicampeão brasileiro.
Depois de vencer duas vezes o nacional, já está com saudades de levantar a taça do Brasileirão?
Com certeza. A última vez foi em 2004, pelo Santos. É um campeonato muito difícil de conquistar e por isso é especial na carreira.
Neste final de semana você enfrenta o clube do coração, o Flamengo. Como foi deixar o clube?
Todos sabem que desde criança torço para o Flamengo. Foi um sonho realizado, mas não foi da forma como eu queria, já que não conquistei nenhum título expressivo. Mas ter a oportunidade de vestir a camisa do Flamengo foi marcante.
Você teve mais alegrias ou tristezas? Como você avalia a passagem pelo time?
Como em todo lugar tiveram bons e maus momentos, de vitórias e derrotas. Todos esses momentos servem para alguma coisa. Para mim foi uma experiência única.
Quando você saiu do Flamengo, existiam algumas pendências, como luvas, por exemplo. Essa situação já normalizou ou ainda existem dívidas?
Temos algumas pendências, sim, mas estamos conversando com a atual diretoria para resolver o que falta.
Qual foi o jogo mais marcante para você durante tantos anos de carreira?
Quartas-de-final do brasileiro de 2002, quando jogava pelo Corinthians. Marquei quatro gols naquela partida contra o Atlético-MG.
E qual gol que você fez foi o mais bonito até hoje?
Um gol que marquei pelo Fenerbahçe contra o Chelsea, na primeira partida da quartas-de-final da Champions de 2008. Foi chute um muito bonito de fora da área.