Duas paixões e um coração dividido. É exatamente assim que o empresário Júlio Ayala se encontra. Além dos amores que nutre pela mulher, filhos e negócios, Julio terá que segurar as emoções durante os 90 minutos que o jogo de hoje promete fornecer.
Nascido no Uruguai, e morador do Brasil há 34 anos, ele confessa ao Jornal de Brasília que o coração vai sofrer por não possuir preferência por nenhuma das seleções que se enfrentam às 16h.
“Eu sou o cara mais dividido nessa situação. Não tem como torcer contra o Uruguai porque nasci lá e não vou negar minhas origens. Também não posso torcer contra o Brasil porque ele é a minha grande paixão. Quando alguém fala mal daqui, defendo o país como um brasileiro nato”, garante Julio. “Torço para que ninguém perca. Quero mesmo é um empate. Aí na prorrogação as coisas se resolvem (risos)”, completa.
Com Diego Forlán e Lugano na celeste, Julio sente que a partida será difícil. “Minha seleção (Uruguai) é completa e minha outra seleção (Brasil) só tem craques. O Neymar é genial e balança qualquer um.”
O peso da camisa
Brasileiro por paixão, Julio possui várias camisas dos dois países que ama. Por estar dividido, os uniformes oficiais ficarão de lado. “Não quero vestir nenhuma. As camisetas vão ficar ao lado da tevê.”
Dono de um restaurante que carrega todo um histórico de sua terra natal, inclusive a própria decoração que remete ao tango, o Ayala Café pausará sua atividade para que todos os funcionários possam apreciar a partida. “Sinto falta do espírito cívico do brasileiro, pensando nisso, todos vamos assistir juntos”.
Morador da capital há 20 anos, Julio diz ter conquistado muitos amigos por aqui. Os “engraçadinhos”, como ele diz, farão questão de assistir a partida ao lado do uruguaio só para rir do sofrimento alheio. “Um amigo me ligou perguntando se eu ia transmitir o jogo. Quando disse que ia, ele logo se animou e eu falei: ‘Pô Ricardinho, até tu?’”, brinca.
Botafogo é a segunda paixão
A relação entre Júlio e Brasil vai muito além da seleção. Quando desembarcou no Rio de Janeiro, aos 18 anos, além da mulher mineira, Inez Ramos, uma estrela solitária conquistou seu coração, o Botafogo.
“Foi amor a primeira vista e eu não sei explicar como isso aconteceu. Sempre fui apaixonado por história e o pseudônimo de ‘O Glorioso’ me chamou a atenção. Na década de 60, o futebol era bárbaro”, lembra o empresário, que fala sobre o esporte com muita propriedade. “Vi o Garrincha, Nilton Santos e Zico jogarem. São ídolos que, graças a Deus, pude ver com a bola no pé”, dispara.
Orgulho
Exibindo a carteirinha de sócio-torcedor do Botafogo, Julio confessa que a atual situação do time não é das melhores, mas a paixão permanece viva. “Se eu pudesse, compraria mais umas três carteirinhas dessa para ajudar o meu clube. A estrela merece”, diz.