Logo no recomeço do Campeonato Brasileiro, após a paralisação para a disputa da Copa do Mundo da África do Sul, o Flamengo chegou a estar na zona de classificação para a Copa Libertadores. Alguns resultados importantes, como os triunfos por 1 a 0 no clássico contra o Botafogo e diante do Atlético-GO, fora de casa, porém, mascararam alguns problemas que voltaram à tona após a derrota de domingo, por 1 a 0, para o Corinthians, no Pacaembu.
O tropeço na capital paulista representou o quarto jogo sem vitórias e fez o clube cair na tabela de classificação, já aparecendo na décima posição, com 17 pontos. A luta pelo bicampeonato parece cada vez mais distante e a torcida já dá sinais de desgaste. A falta de reforços de peso tem sido o principal motivo de irritação para os torcedores.
Antes do Mundial, o Flamengo era apontado como um dos melhores times do país. Porém com o afastamento de Bruno, que teve problemas com a polícia, e a transferência dos atacantes Vagner Love e Adriano para o exterior, a qualidade do elenco caiu consideravelmente.
O diretor executivo do departamento de futebol do clube, Zico, evita tocar no assunto reforços, mas vem trabalhando de forma desesperada nos bastidores para anunciar algum nome de peso para o ataque antes do dia 19 de agosto, quando se fecha a janela de negociações com o exterior. Deivid, que era a bola da vez e atua pelo Fenerbahçe, da Turquia, parece cada vez mais distante.
“As coisas não são fáceis quando se pensa, pois o Flamengo, sozinho, não tem condições de realizar uma grande contratação. O Flamengo não tem como comprar um jogador de primeira linha. Mas se tiver um parceiro pode conseguir, até porque a questão de salário não é um problema, pois estamos com os vencimentos em dia na nossa administração”, afirmou Michel Levy, diretor financeiro do clube, em entrevista à Rádio Brasil do Rio de Janeiro.
Além disso, ele e o técnico Rogério Lourenço vivem a expectativa de que Leandro Amaral possa resolver as carências do setor, embora não jogue uma partida oficial há mais de um ano devido a uma sequência de lesões. Enquanto nenhum reforço de peso chega Rogério Lourenço tenta se virar com atletas como Val Baiano e o colombiano Cristian Borja, que ainda não emplacaram, ou com o jovem Diego Maurício.
Além de não conseguir reforçar o elenco, a diretoria também vem encontrando sérios problemas para colocar em campo atletas tidos como regularizados. Caso do zagueiro David, que chegou a um acordo, mas ainda não teve a documentação acertada porque o Rubro-Negro não pagou pelos direitos federativos ao Panathinaikos, da Grécia. Os dirigentes esperam definir esse processo até quarta-feira.
O departamento jurídico também vem sendo acionado para tentar liberar o meia Marquinhos, impedido de atuar por conta de uma liminar obtida na Justiça pelo Vitória.
Sem contar com os esperados reforços, cabe aos jogadores tentar explicar a sequência negativa e prometer dias melhores.
“Preocupa passar quatro jogos sem conseguir vencer, são dois em casa e dois fora. Temos que voltar a ganhar, porque os times de trás estão encostando. Está complicando para nós”, comentou o zagueiro Ronaldo Angelim.
Alguns demonstram uma evidente preocupação. Caso do meia Michael, que lembrou que o time derrotado no domingo nada tem a ver com o que, no primeiro semestre, eliminou o Corinthians nas oitavas de final da Copa Libertadores.
“A equipe ainda está sendo remontada. Não é o mesmo time que usamos para enfrentar o Corinthians pela Libertadores. Temos que entrosar o quanto antes, porque o Brasileiro é longo, mas vamos ficando distante dos times da frente”, alertou.
O elenco rubro-negro ganhou folga nesta segunda-feira e a reapresentação está marcada para terça-feira, quando o Flamengo inicia a preparação para o seu próximo compromisso, no sábado, às 18h30, diante do Ceará, no Maracanã.