Após a derrota de 2 x 1 para o Grêmio na noite de quinta-feira, no Estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda (RJ), o Fluminense ficou muito perto da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, para onde irá caso a Ponte Preta derrote o Botafogo neste sábado, em Campinas (SP). A Macaca, a melhor colocada da zona de risco, soma 33 pontos, dois a menos que o time carioca.
Muito irritada com essa situação, a torcida tricolor protestou muito e o mais atingido foi o presidente Roberto Horcades, que teve a sua renúncia pedida em coro. Na manhã desta sexta-feira, sempre sereno, o dirigente comentou as críticas e rebateu as ofensas dos torcedores.
"Ninguém pode ser mentiroso, safado e as outras coisas que a torcida está gritando de um ano para outro. Ano passado deu tudo certo e já era presidente. Mantenho a minha conduta sempre e as pessoas têm que ver também que o presidente está sempre no clube, mostrando a cara, mesmo nos momentos de doença como esse", disse Horcades.
Mesmo estando em uma situação de guerra com os torcedores, Roberto Horcades fez um apelo para que os torcedores continuem dispostos a apoiar o elenco neste momento complicado. Para ele, neste momento, apenas a união de todos os setores poderá salvar o Tricolor.
"Eu acho que temos muito pouco o que falar. Temos apenas que pedir aos torcedores para continuarem apoiando. Estamos fazendo o possível, corrigimos os erros que assumimos, mas também credito tudo isso a uma grande falta de sorte. Contra o Grêmio, na pior das hipóteses, conseguiríamos um empate. Mas infelizmente perdemos. Porém, esse é o momento da torcida estar do lado do time e dos verdadeiros tricolores mostrarem a cara. Espero que a família tricolor possa se unir novamente", declarou o presidente.
Em relação às críticas que recebeu por causa da mudança do local do jogo contra o Grêmio, que passou do Maracanã para Volta Redonda, Horcades disse que apenas atendeu a um pedido dos jogadores e da comissão técnica. Os atletas temiam protestos fortes no Rio de Janeiro e o dirigente entendeu perfeitamente esta situação. "Considero isso prefeitamente normal. Eu mesmo recebi uma bomba no meu pé quando o time ainda estava em quarto lugar. Portanto, dá para entender o que passa pela cabeça dos jogadores", afirmou Horcades.
Paulo César Gusmão explicou também o porquê desta situação e deu a entender que, no que depender dele, o time continuará atuando na Cidade do Aço nos três últimos compromissos com mando de campo (Ponte Preta, no dia 9 de novembro, o Cruzeiro, três dias depois, e o Palmeiras, no dia 3 de dezembro).
"Um campo menor favorece ao estilo de jogo que estou implantando no Fluminense e isso será muito importante nos três jogos que teremos que fazer em casa. Atuando com o mando de campo, o nosso time não pode mais pensar em tropeços neste Campeonato Brasileiro", disse PC Gusmão.
Sobre Paulo César Gusmão, a diretoria do Fluminense descartou qualquer possibilidade de demití-lo, dizendo que ele só deixará as Laranjeiras por vontade própria. Ele é o sexto treinador do time carioca na atual temporada. Passaram pelo clube em 2006 Ivo Wortmann, Paulo Campos, Oswaldo de Oliveira, Josué Teixeira e Antônio Lopes.
"Falei recentemente que um dos principais erros de nossa diretoria foi mudar muito a comissão técnica neste ano e por isso não vamos errar mais neste ponto. A competência do Paulo César Gusmão não pode ser questionada e ele não é responsável pelo que está acontecendo. Trata-se de um profissional sério e vamos contar com o trabalho dele por muito tempo, se Deus quiser", afirmou Horcades.
Nesta sexta-feira, o elenco se reapresentou, mas realizou apenas trabalho de relaxamento muscular na piscina do clube. Neste sábado, começa a preparação para a partida contra o São Caetano. Neste jogo, o Tricolor não poderá contar com o volante Romeu, que terá que cumprir suspensão automática por conta do terceiro cartão amarelo, recebido contra o Grêmio. Mas PC deverá escalar Arouca no setor, que está à disposição após se recuperar de uma lesão na coxa direita e vem treinando normalmente com o elenco.