A reapresentação da Ponte Preta na última segunda-feira, após a derrota para o São Caetano em pleno Moisés Lucarelli, chamou a atenção dos presentes. Mais uma vez, como sempre acontecesse nas horas de crise, o presidente do clube, Sérgio Carnielli, apareceu e assumiu toda a culpa pelo virtual rebaixamento da Macaca no Campeonato Brasileiro.
Em entrevista coletiva de quase uma hora, Carnielli apontou a contratação de veteranos como culpada pela crise. Para o dirigente, o alto custo desses jogadores, que pouco renderam em campo, atrapalhou o planejamento. Segundo uma estimativa da imprensa de Campinas, nomes como Luís Mário, Vélber e Fábio Baiano ganhavam acima de R$ 40 mil.
“Nosso erro foi trazer jogadores com salários altos, que ficaram parados e não trouxeram resultados para o clube. A culpa disso foi da diretoria, mas não erramos porque queríamos. Todo mundo é passível de erro. E temos que aprender com esses erros”, garantiu Carnielli.
Oito jogadores ganharam o boné da Ponte na última semana: o zagueiro Juliano, o volante Da Silva, os meias Almir, Danilo e Vélber, e os atacantes Jean Carlos, Luís Mário e Mossoró, além do meia Fábio Baiano demitido nesta segunda. Para piorar a situação, os dispensados estudam entrar com uma ação conjunta na Justiça, exigindo o pagamento dos salários até o final do ano.
Carnielli garante que um acordo será feito para resolver a situação. Por enquanto, a contra-proposta da Ponte é quitar os vencimentos até outubro. “Tentaremos um acordo e eles vão receber o que for devido. Não vamos deixar pagar nada para ninguém e não será necessário acionarem a Justiça”, completou o dirigente.
As dificuldades financeiras enfrentadas pela Macaca neste final de temporada é conseqüência da quebra do acordo do clube com a escola de idiomas CNA. A parceria previa injeção de dinheiro para reforço, mas acabou desfeita antes mesmo de ser colocada em prática. Pior para os ponte-pretanos, que já haviam contratado jogadores como Fábio Baiano e Vélber.
“A diretoria cometeu vários erros, mas certamente o fato de não fecharmos a parceria com a CNA, que seria a solução para os problemas financeiros, pesou”, avaliou o presidente. De volta à realidade assustadora da Ponte, 17ª colocada com 34 pontos, dois atrás do Fluminense e de deixar a zona do rebaixamento, o dirigente garante que 2007 já está sendo planejado, afim de evitar novas campanhas irregulares.
“Temos uma equipe trabalhando e pesquisando para avaliar alguns jogadores. Faz dois anos que não revelamos um grande jogador. Temos que investir mais no departamento amador”, concluiu, prevendo apoio total às categorias de base em caso de disputar a Série B.