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Futebol

Parreira enfrenta ex-pupilos amanhã

Arquivo Geral

26/06/2006 0h00

Carlos Alberto Parreira está na história do futebol brasileiro, entre outros motivos, por ter conquistado o tetracampeonato, em 1994. Na busca pelo hexa, amanhã, às 12h, contra Gana, em jogo válido pelas oitavas-de-final da Copa do Mundo, ele, no entanto, voltará a ser por, pelo menos, 90 minutos o “Professor Carlos”.

Desta forma, Parreira era tratado em 1967, quando foi enviado até Gana para ensinar futebol aos africanos. Aquela foi a primeira seleção dirigida pelo técnico brasileiro, que tinha acabado de se formar em Educação Física no Rio de Janeiro e conseguiu o cargo ao passar em concurso realizado pelo Itamaraty, que estava promovendo intercâmbio com países daquele continente.

Não por coincidência, Gana, apelidada de “o Brasil da África”, continua prestando reverência ao futebol brasileiro até hoje. Apesar de estarem confiantes para o confronto, os africanos ainda têm os brasileiros como fonte de inspiração.

“Nós os admiramos e os consideramos modelos a serem seguidos, mas queremos correr na frente deles, queremos bater os mestres”, afirmou o ganense Cecil Attiquayefo, assistente-técnico do sérvio Ratomir Dujkovic.

Mais uma vez, Parreira só vai divulgar a escalação uma hora antes da partida. Pragmático, o treinador dificilmente promoverá grandes alterações. A única dúvida é no meio-campo. Gilberto Silva está cotado para substituir Emerson.

Ronaldo e Adriano devem permanecer jogando juntos. Robinho tinha chances de entrar na vaga do Imperador, mas sofreu um edema na coxa e ficou em Bergisch Gladbach fazendo tratamento, enquanto a delegação viajou na noite de hoje para Dortmund.

“Este será um jogo perigoso, um jogo de risco. Pela primeira vez nesta Copa pegaremos uma equipe com jogo de cintura, agressividade no ataque, técnica e força”, elogiou o “Professor Carlos” Alberto Parreira, ciente de que seus alunos evoluíram bastante desde o final da década de 1960.

Quase 40 anos depois de ter Parreira como mestre, a seleção de Gana se classificou para as oitavas-de-final da Copa do Mundo da Alemanha como uma das maiores surpresas. Em um grupo complicado, que tinha a Itália como cabeça-de-chave, os africanos eliminaram a República Tcheca, segunda colocada do ranking de seleções da Fifa.

Os ganenses estarão representando todo um continente nessa segunda fase da Copa do Mundo da Alemanha. Enquanto as outras quatro equipes africanas foram desclassificadas na primeira fase, Gana foi o único time a chegar às oitavas-de-final.

Para ratificar isso, os “Estrelas Negras” receberam o apoio público de vários craques africanos que já foram eliminados da Copa, como é o caso dos marfinenses Kolo Touré, do Arsenal, e Didier Drogba, do Chelsea; e do togolês Emmanuel Adebayor, também do Arsenal.

Além disso, seus jogadores já assumiram essa responsabilidade. “Demos o nosso melhor. Fizemos isso por Gana e por toda a África”, afirmou o meia Michael Essien, do Chelsea da Inglaterra. Maior estrela e jogador mais habilidoso do time, ele não poderá enfrentar o Brasil, pois levou o segundo amarelo na última rodada da fase de classificação.

Sem Essien, a esperança de vitória da torcida africana ficará depositada sobre o meia Stephen Apiah, do Fenerbahce da Turquia, e o atacante Asamoah Gyan, do Modena da Itália. Com um gol cada nesse Mundial, eles mostraram ser as melhores opções de Djukovic para tentar eliminar o Brasil.

Se perderem e forem eliminados, os ganenses não sentirão tanto. Eles sabem que já fizeram muito em seu primeiro Mundial e ficarão satisfeitos. Mas para o técnico do Brasil, Carlos Alberto Parreira, é exatamente aí que mora o perigo. “Eles virão para cima, pois são franco-atiradores, não têm nada a perder. Temos que tomar cuidado com isso”. Palavras do mestre, que não quer virar aluno nesta terça.

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