Ricardo Oliveira, aos 36 anos, seria o jogador mais experiente da Seleção Brasileira na Copa América Centenário, não fosse sua lesão no joelho direito, responsável por seu corte da competição. Mas, mesmo de fora, o centroavante tem acompanhado a erupção de notícias e novidades que se transformou o dia a dia da CBF desde a campanha vexatória da equipe nos Estados Unidos. Nesse cenário, a saída de Dunga e a chegada de Tite é encarada com naturalidade pelo santista.
“Vejo uma mudança natural do futebol. Os resultados quando não aparecem, exigem mudanças. Exigem. Cobrança grande da torcida brasileira, mudanças inevitáveis. Para mim, é triste como torcedor ver que objetivos não foram alcançados. Pelo profissional, não conseguimos o que foi planejado pela comissão técnica. Futebol é competitivo. Com a mudança, desejamos que tudo aconteça da melhor maneira possível”, observou, antes de cumprimentar e elogiar aquele que pode ser seu futuro treinador na Seleção.
“O trabalho do Tite sempre foi elogiado por muitos e de uma maneira boa pelo que fez. O fato de terem escolhido ele é mérito, sonho, capacidade de um profissional dedicado. E está sendo reconhecido a nível nacional de maneira justa. No lado profissional e torcedor, desejo sucesso. Nós queremos que o Brasil retome o caminho de triunfo. Esperamos que ele consiga dar à Seleção esse caminho. Os atletas darão o melhor. Nós atletas que devemos contribuir. Vai depender de um conjunto e união em busca de um objetivo único, que é devolver a alegria ao torcedor”.
Já quando questionado sobre a postura de Neymar, que polemizou na última semana ao chamar os críticos da Seleção Brasileira de “babacas” e, posteriormente, se desculpar na mesma rede social, Oliveira preferiu não entrar no mérito. “Eu não gosto de falar sobre isso, porque existe a liberdade de pensamento e cada um fala o que acredita, o que quer”, explicou o capitão do Santos, antes de avaliar uma certa imaturidade e uma sobrecarga em cima de Neymar.
“A responsabilidade do Ney sempre foi muito grande, desde quando ele jogava aqui no Santos e depois, por uma unanimidade, uma aclamação nacional, ele foi convocado para a Seleção Brasileira ainda muito jovem. Ainda muito jovem vestiu a camisa 10 da Seleção. Hoje carrega a braçadeira de capitão da Seleção Brasileira. Pelo potencial que tem e pelo jogador que é, existe essa responsabilidade”, observou, para em seguida cobrar personalidade dos outros atletas que vestem a camisa amarela.
“Eu acredito, sinceramente, que nós precisamos assumir essas responsabilidades. Eu falei no meu retorno para a Seleção Brasileira, após o meu primeiro jogo, que todos que vão para a Seleção têm que buscar ser protagonista. É injusto a gente jogar um peso sobre as costas de um só atleta. Não dá, porque futebol é coletivo. Na Vida é assim”, avisou.
“Não adianta a gente pegar a bola toda hora e jogar nele e falar ‘resolve’. Não vai resolver. A qualidade tem, mas não adianta. A gente tem que trabalhar, o grupo tem que ajudar para que a equipe consiga ser determinante para nós. Todos os atletas têm que assumir essa responsabilidade e querer ser protagonista”, completou Ricardo Oliveira, sempre muito firme nas suas palavras.