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Futebol

O que deu errado no Gama?

Arquivo Geral

30/04/2012 11h03

Ian Ferraz

ian.ferraz@jornaldebrasilia.com.br

 

Normalmente, o termo fora de série é usado para falar de alguém excepcional, fantástico, ou alguém que é muito bom naquilo que faz. Entretanto, para o Gama, clube com maior número de conquistas no Candangão – dez no total –, ser fora de série se tornou algo negativo. A explicação é simples: ao perder no último sábado para o Ceilândia, por 2 x 0, em pleno Bezerrão, o Alviverde acabou eliminado precocemente do torneio local e não irá disputar nenhuma das quatro divisões do Campeonato Brasileiro em 2012.

 

A última vez que isso aconteceu foi em  1994. No ano seguinte,  fez brilhante campanha na Série C, ao conseguir a terceira colocação  e subir para a Segunda Divisão. A explicação para tal decadência não cabe em uma página, mas o Jornal de Brasília ouviu personagens da história recente do clube. 

 

Para Gerson Vieira, ex-zagueiro do Periquito e atual treinador do Capital, interesses distintos atrapalham o Gama. “Falta um trabalho, planejamento. Depois que o Wagner Marques não quis mais saber do Gama, as coisas pioraram. Muitos só trabalharam lá por interesses próprios, uma máfia”, reclama um dos ídolos da torcida.

 

Mesmo longe do time, ele aponta caminhos para a nova diretoria. “Tem que contratar pessoas corretas, fazer um trabalho digno, mas começar agora. Não adianta deixar para o final do ano ou começo do ano que vem. Tem que gastar um dinheiro e investir. Não é só trabalho de juniores, isso não dá resultado, tem que ter um time aspirante e atletas mais velhos. O primeiro passo eles deram, que era tirar a diretoria antiga, esse foi o principal ponto”, ressaltou Gerson, que aponta a contratação de um gerente de futebol como a luz na fim do túnel para o Periquito. 

 

Wagner Marques presidiu o clube nos anos 2000 e viveu momentos distintos. Desde a fase boa, na Série A, quando subiu na gestão anterior, de Agrício Braga, até o início da queda livre, no período em que esteve à frente do clube. 

 

“Demos a nossa colaboração, e qualquer tipo de comentário seria injustiça com a nova diretoria. A gente lamenta a situação e espera que isso mude. Não podemos fazer pré-julgamento, futebol é difícil mesmo”, despista Marques. 

 

Famoso pelos dribles desconcertantes, o lateral-esquerdo/meia Rochinha se mostra decepcionado. “Fico sentido. Em todos os estados que você vai, as pessoas já ouviram falar do Gama. A diretoria tem que rever os caminhos e investir na base. Em 1998, fomos campeões com apenas cinco jogadores de fora, o resto era da casa”, argumenta o jogador do Capital.  

 

O futuro

De forma inteligente, o presidente do clube, Oldemar Bezerra, isentou os jogadores e a comissão técnica de qualquer culpa pelo fracasso. “Culpados somos nós, dirigentes. É começar um novo trabalho. Em outubro ou novembro, montaremos o time novamente”, disse o mandatário. 

 

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