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Futebol

Nova bola coloca goleiros da Copa do Mundo na linha de fogo

Arquivo Geral

20/06/2006 0h00

Quando a nova bola oficial da Copa do Mundo foi lançada pela Adidas com bastante estardalhaço, muito se falou sobre a Teamgeist, espírito de equipe em alemão. Mas, ao fim da primeira fase, alguns dos maiores goleiros do mundo não parecem convencidos de que o bem-estar deles figurou entre as prioridades da fabricante de artigos esportivos da Alemanha.

Os torcedores adoram ver a bola entrando no ângulo e, até agora, não se desapontaram com uma competição muito interessante. No entanto, seria bom reservar alguns minutos de atenção para os homens que ficam debaixo do travessão – para esses, a nova bola, submetida a rigorosos testes de laboratório, tem se mostrado um adversário duro.

"Hoje é muito mais difícil (ser goleiro) do que dez anos atrás, porque os jogadores têm muito mais força e porque as bolas estão mais duras e mais velozes", afirmou Fabien Barthez, goleiro campeão do mundo pela França em 1998.

"Eu não gostaria de ter 20 anos de idade hoje e fazer isso. As bolas têm ficado cada vez mais duras e mais rápidas. Nesta Copa do Mundo, a gente viu vários gols feitos de uma distância de 30 ou 35 metros".

Segundo a Adidas, a nova bola, que conta com um design revolucionário baseado em 14 gomos, conseguiu trazer melhorias nos quesitos "precisão e controle". Basta ver o gol do jogador Deco, de Portugal, contra o Irã, ou o chute de Serhiy Rebrov, da Ucrânia, contra a Arábia Saudita, ou o míssil lançado pelo holandês Robin Van Persie na cobrança de uma falta no jogo com a Costa do Marfim para ficar claro que os atacantes estão, literalmente, com a bola toda.

Os velhos e bons goleiros, porém, estão sentindo a pressão. E argumentam que a Teamgeist é mais leve, mais rápida e um pouco mais imprevisível que os modelos anteriores.

MUITO LEVE

O goleiro da seleção portuguesa, Ricardo, ainda não sofreu nenhum gol, mas viu danos suficientes sendo infringidos a seus colegas profissão para mantê-lo acordado durante a noite. "A bola é muito leve e, quando ela vem com grande velocidade, a coisa se complica para nós", afirmou. "Talvez, até o final da competição, vejamos alguns gols muito bonitos. A Fifa está mais preocupada em facilitar os gols no futebol, o que torna a vida dos goleiros mais desconfortável".

O norte-americano Kasey Keller, um dos goleiros mais experientes da Copa, concorda. "Ela é muito leve e muito rápida. Quando ela é chutada, a gente pensa que tem algum tempo (para chegar nela). São frações de segundo", disse. "A gente acha que a bola estará lá, mas ela acaba aqui. Ela vem com efeito e vem na sua direção. Ninguém sabe o que ela fará em seguida. Acho que veremos muitos goleiros perderem o tempo da bola", acrescentou, observando que prevê ainda ver os goleiros preferindo socar a bola ao invés de tentar agarrá-la.

"Essa é uma tecnologia com a qual temos de nos deparar como goleiros. Não se trata, definitivamente, de uma bola que favoreça os goleiros". Iker Casillas, da equipe espanhola, deu prosseguimento à linha de raciocínio. "Ela realmente voa, e os atacantes amam isso. Mas ela não é fácil para os goleiros", disse o jogador do Real Madrid.

"Parece que ninguém pede aos goleiros que participem do desenvolvimento das novas bolas…". Com algumas poucas exceções, as Copas do Mundo são lembradas por seus gols fantásticos e menos pelas acrobacias maravilhosas dos goleiros. E a Fifa não deve tentar fazer nada para mudar esse cenário.

Então, enquanto os atacantes continuarem lambendo os beiços ao pensar na possibilidade de marcar um gol a 35 metros de distância, os goleiros continuarão a cerrar os dentes. Afinal de contas, segundo o treinador da seleção norte-americana e ex-goleiro, Bruce Arena: "Eles (os goleiros) não ficarão satisfeitos enquanto a bola não for quadrada e pesada".

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