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Futebol

Medo de tumultos e rompimento diplomático marca duelo entre Egito e Argélia

Arquivo Geral

27/01/2010 0h00

Em meio aos pedidos para que os governos de Egito e Argélia não rompam de vez suas relações diplomáticas e ao temor de que torcedores provoquem conflitos de grandes proporções, as seleções dos dois países voltam a se enfrentar amanhã (às 17h30 de Brasília), desta vez pelas semifinais da Copa Africana de Nações.


Em novembro do ano passado, quando duelaram pela última vez, quem levou a melhor foram os argelinos, que em campo neutro, no Sudão, venceram por 1 a 0 o jogo-desempate para definir o último classificado africano para a Copa do Mundo.


“Será uma partida difícil, mas é só um jogo de futebol, e não uma guerra”, disse hoje o comentarista esportivo egípcio Ali Abu Greisha à agência estatal de notícias “Mena”.


Os encontros mais recentes entre essas seleções foram marcados por vários distúrbios e protestos que criaram tensão nas relações entre os dois governos.


O ônibus que levava os jogadores argelinos para uma das partidas, no Cairo, foi apedrejado, o que provocou a ira de muitos torcedores, que incendiaram e saquearam as sedes de várias empresas e lojas egípcias em Argel.


Como o Egito venceu em casa por 2 a 0, houve a necessidade de um jogo extra, já que as seleções terminaram empatadas em pontos e em todos os critérios de desempate. O duelo aconteceu na capital sudanesa, Cartum, apenas quatro dias depois, e a Argélia conseguiu a classificação para o Mundial ao ganhar por 1 a 0.


Depois da partida, houve protestos em frente à embaixada da Argélia no Cairo, e em um deles os choques entre a polícia e os manifestantes terminaram com saldo de 35 feridos, sendo que 11 deles eram agentes de segurança.


Greisha, ex-jogador da seleção egípcia, aconselhou os técnicos de ambas as equipes a “evitarem que os jogadores se provoquem e percam, assim, a concentração na partida”.


Por sua vez, Fathi Mabruk, ex-técnico da seleção do Egito, também acredita que o jogo de amanhã, em Angola, será difícil, sobretudo “porque os argelinos jogarão com muita concentração para mostrar sua superioridade aos egípcios e provar que mereceram ir ao Mundial”.


Considerando o histórico de incidentes, o ministro da Informação egípcio, Anas El-Fiqi, pediu à imprensa de ambos os países para que cubram com “objetividade e calma” a partida.


“Não devemos deixar que nossas emoções nos levem ao fanatismo. Todos os profissionais de imprensa têm que tratar o jogo como um evento esportivo, e não político”, disse.

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