O técnico Marcelo Vilar costuma dizer a todo instante que o problema do Palmeiras não está no gol. Nesta quarta-feira, diante do Goiás, isso ficou provado. Mesmo com “São” Marcos de volta, a equipe palmeirense apresentou velhos defeitos e deixou o campo amargando mais uma derrota: 3 x 1.
O gol marcado por Danilo Portugal aos sete minutos de jogo abriu caminho para decretar a terceira derrota consecutiva do Palestra e manter viva a ameaça do rebaixamento à Série B do Campeonato Brasileiro. Vitor, aos 12 da etapa final, fez o segundo e Souza, o artilheiro do Brasileirão, o terceiro, enquanto Dininho descontou para o Verdão.
Diante do Goiás, a promessa de um futebol ofensivo começou a ir por água abaixo antes mesmo de a bola começar a rolar, com a escalação do volante Marcelo Costa na vaga do criativo Valdívia, testado durante toda a semana ao lado de Juninho Paulista na armação das jogadas.
Com a bola em jogo, o que se viu foi um Palmeiras desorganizado e com falhas na saída de bola. Em uma delas, aos sete minutos, Danilo Portugal aproveitou passe de Muñoz e bateu forte, de longe, para dar as boas vindas a Marcos.
Chiquinho, o melhor do Verdão em campo, testou Rodrigo Calaça duas vezes, mas levou a pior diante do goleiro rival. A falta de criatividade palmeirense tirou a (curta) paciência da torcida, que pediu o chileno Valdívia aos 16 minutos e começou a homenagear Marcelo Vilar com gritos de “burro”, “burro”.
Dez minutos depois, Vilar colocou o chileno no aquecimento e o mandou a campo no lugar da “surpresa” Marcelo Costa, que não acertou um único passe nos 30 minutos que ficou no gramado. Com um minuto em campo, Valdívia foi agraciado com um cartão amarelo, o terceiro, que o tira da partida contra o Paraná.
Cartões à parte, a entrada dele melhorou um pouco o Palmeiras, mas quem chegou perto do gol antes do intervalo foi o Goiás, com Souza, girando livre na área e parando nas mãos de Marcos, que operou o primeiro “milagre” em sua volta. O Verdão chegou depois que Edmundo achou Enílton livre e Rodrigo Calaça fez o pênalti, mas o assistente assinalou impedimento, impugnando a jogada.
Na etapa final, o Palmeiras começou melhor e teve a chance de abrir o placar com Dininho, de cabeça, depois de passe açucarado de Chiquinho. Mais uma vez, no entanto, o goleiro Rodrigo Calaça, substituto do suspenso Harlei, levou a melhor.
Tocando a bola com cautela, o Goiás soube esperar o momento certo para dar o bote e ampliou o marcador aos 12 minutos, em jogada bastante trabalhada, que terminou com a conclusão certeira do ala-direito Vítor.
Com 2 x 0 contra, Vilar sacou Chiquinho, o melhor do Palmeiras, para a entrada de William. Pela segunda vez na partida, foi agraciado com o coro mais ouvido pelos treinadores brasileiros: “burro”, “burro”.
Quando o torcedor já estava perdendo a esperança, uma dupla que fez sucesso no São Caetano entrou em ação. Depois de cruzamento para a área, Daniel cabeceou no travessão e, na sobra, Dininho cutucou para o gol: 2 x 1.
Nos 19 minutos finais, o que se viu foi uma verdadeira blitz palmeirense, com a bola rondando a área goiana a todo instante, de um lado para o outro, à procura de um pé para empurrá-la para as redes.
O pé não veio e os chutes de Valdívia e Francis passaram raspando. Diante de tantas chances perdidas, o castigo veio aos 43 minutos. Em rápido contra-ataque, Souza, o artilheiro do Brasileirão, agora com 16 gols, recebeu, livrou-se de Dininho, passou como quis por Marcos e jogou uma pá de cal nas esperanças da torcida palmeirense, que vai dormir um pouco mais assustada pelo fantasma do rebaixamento.
O Palmeiras volta a campo no próximo domingo, às 18h10, em Curitiba, para enfrentar o perigoso Paraná Clube. Já o Goiás, também no domingo, só que um pouco mais cedo, às 16h, encara o Fortaleza, na capital cearense.