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Futebol

Maradona condena recepção festiva à seleção argentina

Arquivo Geral

12/07/2006 0h00

Diego Armando Maradona não gostou do conformismo dos argentinos com sua seleção. Em entrevista publicada nesta quarta-feira pelo diário Olé, o ex-jogador deu até a ira dos arqui-rivais brasileiros, após também serem eliminados nas quartas-de-final da Copa do Mundo, como exemplo a ser seguido.

“Eu me surpreendi com os aplausos. A seleção chegou e houve festa. O que está acontecendo? Está mudando o nosso gosto? Agora comemoramos ter chegado nas quartas-de-final? Vejam que, no Brasil, colocaram abaixo uma estátua do Ronaldinho”, comparou, lembrando do boneco incendiado em Chapecó, Santa Catarina.

Maradona, que disse estar ansioso para ver a Argentina dar novamente uma volta olímpica, também ficou indignado com a postura dos alemães. “Não dá para acreditar. O que fizeram com o time de Klinsmann foi lamentável. A Alemanha festejando um terceiro lugar como anfitriã! Não dá para acreditar”, repetiu.

A Itália, que eliminou a Alemanha, mereceu elogios rasgados do ex-jogador por esta partida. “O que Lippi (técnico da Azzurra) fez com a Alemanha não é coisa de italiano. É de argentino ou de brasileiro”, reverenciou, exaltando a garra da seleção italiana para fazer 2 a 0 em cima dos donos da casa na prorrogação.

Já na decisão do Mundial, Maradona não ficou satisfeito com a vitória da Itália. Achava, sim, que a França merecia ser campeã. “A Itália levantou a Copa, mas a França foi superior. Foi para cima mesmo com dez homens em campo”, destacou, apontando Argentina e Espanha como as seleções que melhor se apresentaram na Copa.

O argentino aproveitou para elogiar, mesmo de uma forma um tanto peculiar, o volante francês Makelele. “Cento e vinte minutos e ele vai, trava e ganha. Por isso, eu lhe disse: ‘Negro, filho da p…, quero que jogue sempre na minha equipe. O pobre, mesmo falando perfeito espanhol, não entendia nada. Só me olhou e disse ‘bom, está bem’”, contou.

Mas Maradona tinha mais críticas que elogios a fazer. Ainda em relação à decisão, não perdoou a cabeçada intempestiva de Zidane. Sobre a queda da Argentina, falou da substituição do goleiro Pato Abbondanzieri, do Boca Juniors, que deixou o gramado lesionado. “Gosto muito do Pato, mas na minha equipe os goleiros só saem quebrados. Ele tinha que estar morto para sair. Morto. Quando vi que ele ia embora, pensei: ‘cagamos’”, disparou o ex-jogador, que exigia a convocação de Lux, do River Plate.

Os cartolas da Fifa e o eterno desafeto, Pelé, também não escaparam da língua de Maradona. “Não tenho problemas em cumprimentá-los, até o Havelange, que, entre parênteses, é quem comanda. Blatter me disse: ‘Diego, te esperamos na família’. Eu o contestei: ‘Obrigado, já tenho uma’. Eu me dei conta que não poderia trabalhar com ele, com Pelé. Quero poder gritar um gol e não ver o presidente da Sérvia e lhe dizer: ‘Perdão, senhor, por tê-lo feito este gol. Te incomodo?’. Não, eu agradeço a meu papai e minha mamãe por ser argentino”.

Se não trabalha com a Fifa, Maradona deu a entender ao Olé que está disponível ao cargo de Jose Pekerman, técnico da seleção argentina. “Não me convido. Se alguém quiser me chamar, sabe onde me encontrar. Estou em casa”, avisou.

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