A Copa da Alemanha distanciou mais quatro anos a Croácia daquela que foi a melhor geração de sua curta história no futebol. Em 1998, na França, a seleção comandada pelo artilheiro do Mundial, Davor Suker, terminou na terceira colocação do torneio. Nada mal para uma primeira aparição. Quatro anos depois, porém, quando o atacante croata já tinha 34 anos e ameaçava se aposentar, a equipe caiu na primeira fase da Copa da Ásia. O fracasso se repetiu em 2006.
Aproveitando-se da ausência de ídolos no futebol croata desde a aposentadoria de Suker, o atacante Dado Prso conquistou a vaga na linha de frente da seleção e se tornou o maior destaque do país. O jogador do Glasgow Rangers foi o artilheiro do time armado pelo técnico Zlatko Kranjcar nas eliminatórias européias para o Mundial da Alemanha, com os mesmos cinco gols do meia Srna.
A Croácia já dava a entender que poderia cair prematuramente na Copa 2006 em seus amistosos de preparação, marcados por altos e baixos. No primeiro jogo do ano, dia 29 de janeiro, derrota por 2 x 0 para a Coréia do Sul. Os europeus, no entanto, conseguiram golear o fraco time de Hong Kong, por 4 x 0, três dias depois. Em 1º de março, um apertado 3 x 2 sobre a Argentina empolgou os croatas. Mas a seleção voltaria a decepcionar às vésperas do Mundial, só empatando por 2 x 2 com o Irã e perdendo por 1 x 0 para a Polônia, duas seleções que também não passariam da primeira fase na Alemanha.
Logo em sua estréia na Copa do Mundo, dia 13 de junho, em Berlim, a Croácia tinha pela frente o Brasil, seleção pentacampeã do mundo e favorita absoluta à conquista do título na Alemanha. Não fez feio. Um fraco 1 x 0 da seleção canarinho, gol de Kaká, empolgou a torcida croata nas arquibancadas e até dentro de campo. Um torcedor invadiu o gramado e reverenciou Dado Prso. “Nós não merecemos perder essa partida. No segundo tempo, fomos a melhor equipe”, julgou o técnico Zlatko Kranjkar.
Com o moral da derrota magra, os croatas foram encarar o Japão em Nuremberg. Não passaram de um fraco 0 x 0 e tiveram que decidir a sorte em Stuttgart contra a Austrália, que havia batido os orientais por 3 x 1 e também dificultado para a seleção brasileira. Aquela seria a última apresentação croata no Mundial da Alemanha.
Em um jogo emocionante, os comandados de Guus Hiddink viram a Croácia abrir o placar – o primeiro gol croata na Copa, anotado por Srna –, mas logo empataram com Moore. A história se repetiu no segundo tempo, quando Kovac e Kewell chegaram às redes. Com o placar de 2 x 2, os australianos garantiram o segundo lugar no Grupo F e a classificação inédita para as oitavas-de-final.
A imprensa croata acusou o técnico Zlatko Kranjkar pela eliminação prematura do país no Mundial, mas a Federação de Futebol do país decidiu mantê-lo no cargo por mais dois anos. Agora, sua missão será garimpar novos talentos para, quem sabe em 2010, na África do Sul, a Croácia possa provar que a geração de Suker não foi uma mera exceção em sua história.