Em toda a sua carreira, Wanderley Luxemburgo foi campeão usando na maioria das vezes seu esquema tático preferido: o 4-4-2. Desde o fim do ano passado, porém, o técnico tem optado por escalar o Palmeiras no 3-5-2, que sempre criticou. Mais do que uma mudança de opinião, foi uma adaptação do treinador ao posicionamento mais comum no futebol brasileiro (inclusive nas categorias de base) nos últimos anos.
“Aceitei o 3-5-2 porque não sou burro. Hoje todo mundo usa o 3-5-2, por que vou bater cabeça?”, indagou o comandante. Mesmo dando o braço a torcer, ele mantém o discurso de que a maior parte das equipes, na verdade, jogam de maneira mais defensiva, com cinco atletas na retaguarda – inclusive o Verdão atua assim algumas vezes.
“É preciso ter jogadores que se adaptam a um esquema. E os esquemas também mudam de um time para outro. O São Paulo usa um 3-5-2 da maneira do treinador dele, e eu penso diferente. Se coloco três zagueiros e o Armero, por exemplo, pode virar um 5-3-2”, apontou Luxemburgo, que mistura irritação por ter de se explicar e comemoração pelas alternâncias em seu elenco.
“Estou com os esquemas todos definidos. Sempre acho o 4-4-2 uma melhor alternativa, mas tenho opções no 3-5-2. Posso colocar o Marcão como lateral esquerdo ou zagueiro e o Maurício Ramos como zagueiro ou lateral direito para deixar o pessoal do meio-campo subir mais, por exemplo”, argumentou.
O técnico não esconde que sua formação favorita tinha Edmilson, experiente jogador que se alterna como volante e zagueiro dentro da partida. Desde a contusão do pentacampeão, o comandante do Verdão busca um jeito de encaixar a equipe desta maneira. Chegou a pedir para Pierre, típico volante de marcação à frente da zaga, exercer esta polivalência.
“O Wanderley já me passou isso. Mas tenho que trabalhar muito nisso ainda”, comentou o próprio Pierre, mostrando-se um pouco reticente. “O problema é aquele meio-campo que fica vago se eu recuar. Se eu atuar na frente, fica um buraco na defesa. Mas é duro ficar dando pitaco. O Wanderley vai pensar bem em uma solução”, apostou o camisa 5.
Seja qual for a tática, o grupo tem rendimento aprovado pelo chefe. “Se eu falar que estou satisfeito, me dão pancada. Mas tenho que analisar em cima das dificuldades, como as perdas muito importantes do Edmilson e do Willians, o Mozart entrando em forma… E o time é muito jovem, são somente cinco meses de trabalho. Tenho que ajustar a equipe dentro da competição. Mesmo assim, estamos vivos em campeonatos difíceis. Estamos evoluindo”, elogiou Luxemburgo.