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Futebol

Livro <i>Cabeça do Futebol</i> tenta unir literatura e futebol

Arquivo Geral

22/06/2009 0h00

A arte relacionada ao futebol não se limita às quatro linhas do gramado. Para tentar provar isso, Carlos Magno Araújo, Samarone Lima e Gustavo de Castro, escreveram o livro “Cabeça do Futebol”, lançado na sexta-feira passada, na Livraria Cultura do Casa Park. Na obra, é feita a união entre a literatura e o esporte bretão mais amado do mundo, algo não muito corriqueiro no Brasil.


A idéia dos autores foi a de contar histórias de partidas, jogadores, torcedores, pais e filhos, numa homenagem ao futebol e sua poesia num olhar não-econômico, mas artístico. Por isso, a literatura é tratada em primeiro plano, com alguns textos criados especialmente para o livro, utilizando o mundo da bola como segundo plano, e ao mesmo tempo como cenário.


“Nosso objetivo era fazer um livro falando do futebol com outro olhar, e ele foi alcançado. Que não fosse um livro acadêmico ou analítico, pois todo dia, todos os brasileiros o analisam, e alias me chamou atenção a disponibilidade das pessoas em contas suas histórias. Estamos muito contentes com o resultado do livro, que agora está em campo”, disse Samarone Lima, um dos co-autores.


Outro dos co-autores, o professor da UnB, Gustavo de Castro, comentou sobre a relação distante entre a bola e as livrarias. “Dizem que o futebol é uma narrativa a parte. Que não é necessário algo para narrar o futebol. Já se constituiu um discurso por todos falarem dele o tempo todo. Por isso, talvez não precisasse de mais livros sobre o assunto. Apesar de eles estarem crescendo, pois em época de Copa do Mundo sempre aparecem mais.”


Uma relação que se torna ainda mais carente pela falta de carga emocional nos textos do jornalismo esportivo, segundo Samarone. Um dos criadores do “Blog do Santinha”, ele utiliza textos mais elaborados e com uma visão diferente das partidas do Santa Cruz, um dos clubes mais tradicionais e populares de Pernambuco, mas que hoje se encontra na crise de estar na série D do Campeonato Brasileiro.


“Infelizmente o jornalismo esportivo não tem dado muita atenção a esse velho estilo de texto atrelado à emoção, mais elaborado, mais poético. Há 4 anos eu criei o blog, surgido da insatisfação com a falta de notícias e textos poéticos do Santa Cruz. O blog não fala do factual sobre jogos do Santa, mas de histórias do sentimento de torcedores que foram ao estádio. E o fato de recebermos mais de 40 mil acessos mensais mostra essa carência”, falou o torcedor tricolor.


Quanto à afinidade entre a arte e o futebol, Gustavo de Castro confessa seu saudosismo, expresso também no livro. “A obra até critica esse mercado da bola, esse espetáculo. O futebol é mais simples, tem uma beleza, uma estética, uma elegância, um charme. Mas enfim, essa é a intenção boa. O esporte que tem tanta improbabilidade, mas tem tantas cifras, tantos símbolos”, argumenta o professor.


Porem, Samarone Lima diverge de seu amigo co-autor quanto a essa realidade. Ele credita essa queda de qualidade à venda em excesso dos craques brasileiros, se referindo especificamente ao futebol tupiniquim. Se não fosse por isso, talvez nosso campeonato doméstico pudesse ajudar na produção de outras histórias dignas de fazer aumentar o número de publicações na área futebolística.


“Acho que o futebol brasileiro continua produzindo grandes craques, o problema é que eles estão longe. Por exemplo, se pegarmos todos os nossos jogadores que jogam na Europa ou no mundo árabe, teríamos o melhor campeonato do mundo. Assim como os grandes ídolos de antigamente estariam nos grandes times europeus caso jogassem nos dias de hoje. Continuamos fabricando excelentes futebolistas, mas não sabemos transformar isso em algo organizado e rentável”.

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