Enquanto Ronaldo vive um verdadeiro inferno astral e vira manchete não pelos gols que marca, mas pelas bolhas que incomodam seus pés ou por estar “supostamente” acima do peso ideal, outro vértice do “quadrado mágico”, Kaká, passa por uma experiência completamente oposta, e é o grande destaque da seleção pentacampeã no Mundial da Alemanha até esse momento.
Apontado pela crônica esportiva e mundial como o principal nome do Brasil na vitória sobre a Croácia, o meia do Milan, autor do solitário gol na estréia, e boa figura na vitória por 2 x 0 sobre a Austrália, também tem seu nome cantado em prosa e verso por treinadores e preparadores físicos no país.
Nelsinho Baptista foi um dos primeiros treinadores a comandar Kaká no São Paulo, em 2001. Para o profissional, o crescimento de Kaká é notório na seleção, mas o talento que hoje encanta o mundo é apenas uma extensão do que o jogador já mostrava em seus primeiros passos no clube do Morumbi.
"Ele sempre demonstrou ser um profissional com objetivos na carreira, que gostava de trabalhar e se preparar bem. Hoje, o Kaká é um jogador diferenciado, que amadureceu e encorpou, mas ele mantém a mesma personalidade e a mesma determinação de quando surgiu no São Paulo", analisou.
Quem também não se mostrou surpreso com a exuberância do futebol de Kaká foi o preparador físico Fábio Mahseredjian. Atualmente no Palmeiras, o preparador trabalhou com o camisa oito da seleção em 2002, quando o São Paulo era treinado por Oswaldo de Oliveira e, posteriormente, por Roberto Rojas.
Para Mahseredjian, o “bambino d’oro” tem tudo para ser o grande nome da Copa do Mundo, física e tecnicamente. "O Kaká extrapolou no aspecto físico, pois está com uma velocidade e uma força impressionantes. Ele tem a genética a seu favor, encorpou, amadureceu, e a tendência é que seja um dos grandes nomes da Copa do Mundo", apostou.
O descobridor:
Responsável por tirar Kaká da reserva dos juniores e lançá-lo no elenco principal do São Paulo em 2001, o técnico Oswaldo Alvarez colheu os frutos já naquele ano, conquistando o título do Rio-São Paulo sobre o Botafogo com dois gols do garoto sensação do Morumbi.
Nesta Copa Vadão definiu o craque da seleção em apenas uma palavra: "Ele é predestinado", garantiu, para depois explicar: "Quando puxei o Kaká para o time principal do São Paulo, os juniores estavam disputando a Copa São Paulo e eu pedi os reservas. Bati o olho no Kaká e notei que ele era o cara", lembrou.
Vadão citou a decisão do Rio-São Paulo de 2001, vencida com dois gols do garoto recém lançado, como exemplo da trajetória vitoriosa anunciada desde o aparecimento de Kaká. "Tudo começou com os dois gols na decisão. Estávamos perdendo o jogo e resolvi colocar o Kaká. Ele fez os gols e fomos campeões. Na última Copa, mesmo jogando pouco, ele foi campeão. Agora, mais adaptado e mais maduro, não tenho dúvidas que será o grande nome do Brasil", discursou.
O desempenho do meia contra a Croácia também foi apontado pelo descobridor de Kaká como um aviso de seu sucesso na Alemanha. "O jogo estava difícil e ele marcou um golaço, de pé esquerdo. Ele atrai coisas positivas", apostou.
História curiosa:
O descobridor de Kaká apontou o amadurecimento e o desenvolvimento físico do craque como principais mudanças do tempo em que o lançou no São Paulo e lembrou, com bom humor, de uma passagem que ilustra bem a diferença no comportamento do jogador.
"Logo depois de fazer os gols do título, o Kaká, que sempre ia embora dos jogos com os pais, pois morava na região do Morumbi, se atrapalhou e subiu no ônibus com a delegação. Só na hora que estávamos quase saindo ele lembrou que os pais esperavam por ele. Foi engraçado, pois ele estava verdinho ainda. Hoje está orientando companheiros, conversando, enfim, mais maduro", finalizou.