
O juiz Raymond Dearie, que conduz parte das investigações sobre os casos de corrupção envolvendo a Fifa, recebeu um ofício no último dia 4 com um pedido da promotoria para adiar a possível condenação de J. Hawilla, dono da Traffic, uma das maiores agências de marketing esportivo da América Latina.
A matéria divulgada pelo Estado de S. Paulo nesta terça dá conta de que a prorrogação da decisão judicial para outubro foi um pedido do Governo já que o empresário, um dos poucos réus confessos do caso, “está cooperando continuamente com as investigações”. Desde que a sentença foi expedida, em setembro de 2015, a decisão judicial já foi adiada uma vez.
Imputado dos crimes de lavagem de dinheiro, extorsão, fraude eletrônica e obstrução da justiça, o brasileiro, que há anos movimenta milhões de dólares em negociações de direitos de transmissão de jogos, agora ajuda a desvendar os envolvidos em outros esquemas de desvio de verba que envolvem dirigentes do futebol mundial.
Em março de 2014, J. Hawilla oficializou um acordo de cooperação com a Justiça dos Estados Unidos segundo o qual aceitou devolver US$ 151 milhões (cerca de R$ 473 mi) sonegados com receitas obtidas em apenas dois anos – 2012 e 2013 – e ajudar a identificar os envolvidos na crise de bastidores que ronda a Fifa há quase um ano.
Depois de integrar parte do esquema de lavagem de dinheiro durante mais de 20 anos, intermediando contratos entre clubes e outras agências, J. Hawilla foi um dos primeiros acusados a aceitar a delação premiada. E agora, com os outros dirigentes sob custódia, a Justiça tem a oportunidade de confrontar as versões dos depoimentos.