Em jogo muito estudado, que terminou empatado por 1 x 1 no tempo normal, a técnica francesa se equiparou com a força defensiva da Itália. O duelo entre as duas seleções européias levou a decisão da Copa do Mundo pela quinta vez na história para a prorrogação (1934, 1966, 1978 e 1994) e pela segunda vez para a disputa por pênaltis (1994). Desta vez, em Berlim, a Itália saiu vencedora, por 5 x 3, e conquistou o tetracampeonato. Nos pênaltis, Trezeguet desperdiçou sua cobrança.
No tempo extra, a França seguiu jogando melhor, mesmo depois de ter perdido Henry com dores musculares e Zidane, expulso. O placar seguiu inalterado e a Itália mostrou muita garra, organização e força física.
Além de ter se despedido do futebol com uma série de atuações fantásticas e a mancha de uma expulsão, o francês Zinedine Zidane se tornou o quarto jogador da história a marcar gols em duas finais de Copas do Mundo (1998 e 2006). Ele repetiu o feito dos brasileiros Pelé (1958 e 1970), Vavá (1958 e 1962) e do alemão Breitner (1974 e 1982).
A Itália começou o jogo tentando intimidar a França. Em trombada com Cannavaro, Henry quase deixa o campo logo nos primeiros minutos. O atacante foi atendido pelos médicos longamente, mas se recuperou.
As entradas fortes italianas prosseguiram até que Materazzi mexesse no pé de apoio de Malouda dentro da área. O árbitro Horácio Helizondo marcou pênalti, cobrado por Zidane, aos 7 minutos. A bola assustou a torcida ao bater no travessão e no chão perto da linha, mas dentro do gol: 1 x 0.
Quando a França começava a usar sua experiência para administrar a vantagem, a Itália reagiu pelo alto. Pirlo cobrou escanteio e Materazzi se redimiu do pênalti cometido, empatando o jogo, de cabeça, aos 19 minutos.
A França não se inibiu com o gol sofrido e seguiu buscando o jogo. A organização defensiva da Itália, no entanto, não permitia a penetração francesa. Apesar dos passes geniais de Zidane nas costas dos marcadores, foi o italiano Luca Toni, no entanto, quem acertou a trave de Barthez.
A França voltou melhor inspirada do intervalo e a Itália seguia chegando com perigo apenas nas bolas aéreas. A técnica dos Bleus começou a se sobressair. O francês Vieira que não fazia boa partida foi substituído por Diarra. Na Itália, saíram Totti e Perrotta para as entradas De Rossi e Iaquinta. A França continuou jogando melhor.
Apesar dos esforço de ambas as partes, a partida seguiu empatada. Pouco antes de ir para a prorrogação, Marcelo Lippi mostrou ousadia, queimou sua última alteração e foi ao ataque com Del Piero no lugar de Camoranesi.
A prorrogação ficou dramática e Ribery teve a chance de decidir o jogo. O chute passou raspando a trave. A torcida francesa foi a loucura, mas aplaudiu a saída do meia para a entrada de Trezeguet.
Antes da mudança de campo no tempo extra, Zidane fez bonita tabela com Sagnol e cabeceou firme. Buffon fez defesa inacreditável. Henry sentiu câimbras e foi substituído por Wiltord.
O melhor jogador da Copa, no entanto, perdeu a cabeça após provocação de Materazzi. Irritado, Zidane deu uma forte cabeçada no peito do italiano e foi expulso. Nos pênaltis, a Itália foi campeã, após cobrança desperdiçada por Trezeguet.
FICHA TÉCNICA: ITÁLIA 1 (5)X 1 (3)FRANÇA
Local: Olympiastadion, em Berlim (Alemanha).
Data: 09 de julho de 2006 (domingo)
Horário: 15h (de Brasília)
Árbitro: Horacio Elizondo (Argentina)
Assistentes: Darío García (Argentina) e Rodolfo Otero (Argentina)
Gols: ITÁLIA: Materazzi aos 19 minutos do primeiro tempo.
FRANÇA: Zidane (pênalti) aos 7 minutos do primeiro tempo
Cartões Amarelos: Zambrotta ( Itália); Malouda, Makelele e Sagnol (França)
Cartão Vermelho: Zidane (França)
ITÁLIA: Buffon, Zambrotta, Materazzi, Cannavaro e Grosso; Perrotta (Iaquinta), Gattuso, Pirlo, Camoranesi (Del Piero) e Totti (De Rossi); Luca Toni
Técnico: Marcelo Lippi
FRANÇA: Barthez, Sagnol, Thuram, Gallas e Abidal; Makelele, Vieira (Diarra), Ribery, Zidane e Malouda; Henry (Wiltord).
Técnico: Raymond Domenech