Cidade ao oeste da Alemanha colonizada pelos romanos, Colônia mais parecia parte do Reino Unido na noite de hoje. Milhares de ingleses invadiram a quarta maior cidade alemã para acompanhar, seja dentro do Stadion Köln ou pelas ruas e bares, o empate do English Team contra a Suécia, em 2 x 2, que garantiu a primeira colocação do grupo B à Inglaterra.
A cidade também é conhecida pelo grande número de imigrantes: são seis mil brasileiros vivendo na cidade. Desta vez, o bar Brasil, próximo à estação central de trem e tradicional recanto verde e amarelo, virou uma verdadeira salada multicultural. Além dos brazucas, ingleses, suecos, holandeses e alemães acompanharam o jogo. Entre um gole de cerveja ou caipirinha e os tradicionais tira-gostos brasileiros, o prato principal: Copa do Mundo.
Logo a um minuto de jogo, momento de tensão com a contusão de Michael Owen. O lance, repetido várias vezes na TV, tirou gritos e sussurros da galera: o ídolo inglês se contorceu no chão e saiu carregado na maca. Mais tarde, porém, o golaço de Joe Cole – além dos efeitos da caipirinha – deixou os ingleses mais soltos.
“A Inglaterra pode chegar sim, porque contra equipes grandes nosso futebol sempre cresce”, disse o torcedor Richard Thompson. Mas o próximo adversário é o Equador, um time com pouca tradição. Então os ingleses terão dificuldades? “Eu prefiro ver a Inglaterra jogando contra Brasil, Alemanha, Argentina. É mais elegante, mas com certeza vamos passar pelo Equador”, concluiu.
Acompanhando Thompson, Peter Kuningham, já meio “azedo” ao lado de vários copos de cerveja, avisou: “cuidado, os ingleses são todos hooligans”, disse, antes de completar rindo: “a Inglaterra é favorita, pra mim a Inglaterra vai ganhar a Copa, escreve aí”. Ao final do primeiro tempo, a festa era inglesa. Os suecos pareciam não ligar, continuavam bebendo. Os ingleses riem, aplaudem e pedem mais uma.
“Guerra” na praça
Um enorme telão instalado na praça da bela catedral de Colonia, a maior da Alemanha, foi o local escolhido por milhares de torcedores, a imensa maioria britânicos, para acompanhar a partida. Por precaução, tanto a polícia alemã quanto a inglesa montaram, em conjunto, uma verdadeira operação de guerra para vigiar a multidão.
O segundo tempo foi movimentado. Quando os suecos empataram com Allback, um punhado de torcedores vestidos de azul e amarelo comemoraram em meio a uma imensa massa vestida de vermelho e branco. O jogo seguiu disputado, a Suécia pressionava e os ingleses se irritavam vendo o time encurralado.
Mas a cinco minutos do final, Gerrard, que substituira Rooney, fez 2 x 1 para a Inglaterra. Terremoto na praça. Muitos ingleses ensaiaram provocações aos poucos suecos. A polícia interveio e logo os ânimos se acalmaram. Foi quando Larsson empatou no minuto final.
Os suecos vibraram, mas já era tarde. O “osso” ficou para a Suécia: encarar os donos da casa nas oitavas-de-final. Já os ingleses pulavam, urravam, gritavam. Para eles, o Equador já foi. “Equador? A Inglaterra não tem medo de ninguém, nem do Brasil”, gritava Thomas Scott. Diane Patherson provocava: “esse ano o título vai ser nosso, o Brasil não está jogando nada”.
Mas ainda foi possível encontrar um inglês comedido. Se a Inglaterra vai ser campeã eu não sei, só sei que hoje a gente vai comemorar. Muito! , diz Beny Simpson, em meio a gritaria geral.
Aos poucos a multidão se dissipou, grande parte rumo a estação de trem. Com os hotéis de Colônia completamente lotados, os ingleses se espalharam pelas cidades da região. Mais trabalho para a polícia, que acompanhou a massa de perto. Por todos os lados, uma verdadeira mistura de cores, camisas e bandeiras colorindo a estação.
O jogo era Inglaterra e Suécia, mas há gente de todos os cantos: espanhóis, mexicanos, holandeses, brasileiros, argentinos… Fora da estação, as sirenes dos carros de polícia soavam freneticamente. A noite vai ser longa em Colônia.