Há sinais de temperatura em elevação no Inter. O Beira-Rio vive um incipiente processo de ebulição desde o primeiro jogo pela Libertadores. Às 21h50 (de Brasília), desta quarta-feira, o processo pode ser acelerado ou revertido dependendo do resultado como mandante diante do Jaguares. Um resultado negativo pode ser um catalisador da evaporação, uma vitória convincente servirá para gelar a ação.
É como se a casa colorada fosse uma caneca cheia de água em um fogão aceso nessa segunda rodada do Grupo 6. O técnico Celso Roth é a água suscetível à intensidade do calor que existe sob si. A torcida nas arquibancadas é como aquelas agitadas bolinhas que aparecem antes do estado líquido virar gasoso. O comportamento delas será um importante fator no que se desencadeará.
O momento ganhou contornos mais fervorosos após a eliminação precoce no Campeonato Gaúcho. Mesmo que a derrota tenha sido do time B, a pressão se estendeu por todo o clube.
A manutenção de Roth no comando do time após o fracasso no Mundial de Clubes fez 2011 começar com a chama acesa embaixo do treinador. A margem de erro é mínima, menor do que qualquer pesquisa pré-eleição. Se sua margem fosse de 2%, o treinador estaria contente.
Ao escalar três volantes na semana passada, sendo que Wilson Matias atuou como terceiro zagueiro, o treinador deu o seu primeiro passo em falso, mesmo que a atuação na estreia – 1 a 1 com o Emelec, no Equador – não tenha sido ruim. A questão é mais conceitual do que prática. O rótulo de retranqueiro por vezes volta a ser colocado sobre Roth de tempos em tempos. Uma equipe com cuidados excessivos diante de adversários pouco copeiros irrita os colorados.
Nos últimos dias, as reclamações em relação às idéias do técnico se proliferaram nas redes sociais. Paródias de marchinhas carnavalescas ironizando os conceitos aplicados por Roth pipocaram. “Volante eu quero, volante eu quero, volante eu quero botar”, dizia uma delas. “Se você pensa que volante é meia, volante não é meia não? o meia joga lá pra frente, volante só no retrancão”, brincava outra.
“Olha, o Twitter é uma ferramenta de uso democrático, o que é muito bom”, limitou-se a dizer o comandante colorado.
Esse ambiente não foi suficiente para mudar as convicções. Matias, Bolatti e Guiñazu seguem na equipe. Tinga, recuperando-se de dores no tendão de Aquiles, continua fora. O novo desfalque é D’Alessandro. Cavenaghi deverá ocupar sua vaga, recuando Zé Roberto para articular as jogadas. Outra opção é o ingresso de Oscar, mantendo o argentino no banco de reservas.
“Cabe a nós, homens de frente, chamar a responsabilidade, querer o jogo. Temos que ousar, buscar o gol”, analisa Zé Roberto.
Crise no adversário – Se a situação é quente nos gaúchos, com os mexicanos ela ferve. Mesmo que tenha vencido o Jorge Wilstermann no primeiro jogo, o Jaguares vive um momento delicado. Os felinos ocupam a lanterna do Campeonato Mexicano, tendo somado quatro pontos em sete partidas.
FICHA TÉCNICA
INTERNACIONAL X JAGUARES
Local: Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre (RS)
Data: 23 de fevereiro de 2011, quarta-feira
Horário: 21h50 (de Brasília)
Árbitro: Roberto Silveira (Uruguai)
Assistentes: William Casavieja e Marcelo Costa (ambos do Uruguai)
INTERNACIONAL: Lauro; Nei, Índio, Sorondo e Kleber; Wilson Mathias, Bolatti, Guiñazu e Zé Roberto; Cavenaghi (Oscar) e Leandro Damião
Técnico: Celso Roth
JAGUARES: Villalpando; Martínez, Flores, Fuentes e Cabrera; Valdez, Hernández, Esqueda e Zamora; Rojas e Salazar
Técnico: José Guadalupe Cruz