Quando 22 rapazes se encontraram para fundar o Clube Atlético Mineiro no dia 25 de março de 1908, ainda na pequena Belo Horizonte, não imaginavam o sucesso que a instituição faria anos depois no futebol brasileiro. Conhecido internacionalmente por ter uma das torcidas mais apaixonadas do mundo, o Atlético coleciona muita história em todo esse tempo de vida. Algumas memoráveis, outras nem tanto. E é isso o que celebra pela 102ª vez nesta quinta-feira.
O que os torcedores mais gostam de lembrar é o primeiro título do Campeonato Brasileiro, em 1971, a superioridade no futebol mineiro com 39 taças levantadas, o bicampeonato da Copa Conmebol e a inesquecível vitória sobre a seleção brasileira de Pelé e companhia, em 1969, por 2 a 1, no Mineirão, quando o Galo cantou mais alto que o ‘canarinho’. Esta seleção seria tricampeã do mundo no ano seguinte e reconhecida como a melhor de todos os tempos.
Os jogadores que mais marcaram a história do Atlético foram Reinaldo, maior artilheiro do clube com 255 gols, Dadá Maravilha, vice com 211, Éder Aleixo, o “bomba”, João Leite, o “goleiro de Deus”, Toninho Cerezo, Guará, o perigo louro, Mário de Castro, dono da melhor média com quase dois gols por jogo. Mais recentemente, o goleiro Taffarel e os atacantes Guilherme e Marques, este ainda no clube, com 37 anos, sendo o xodó de antes e marcado na história como o nono maior artilheiro com 132 gols.
Como em todo grande clube, as decepções também estão presentes nos contos alvinegros. As mais evidentes aconteceram em 1977, quando o Atlético foi vice-campeão invicto do Campeonato Brasileiro, perdendo nos pênaltis na final para o São Paulo e na Copa Libertadores de 1981, no duelo contra o Flamengo, para definir qual clube passaria para a próxima fase.
A equipe carioca se classificou, mas não por derrotar o Galo, e sim pelo fato do árbitro José Roberto Wright ter expulsado cinco jogadores atleticanos e finalizado a partida. Outra grande desilusão, talvez a maior de todas, foi a queda para a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro, em 2005.
Mesmo com tantos reveses, a torcida atleticana sempre manteve o apoio incondicional ao clube, tanto que detém alguns recordes conquistados nas arquibancadas do Mineirão. Em nível nacional, a torcida alvinegra tem a segunda melhor média de público do Campeonato Brasileiro, com quase 25 mil torcedores por jogo, atrás apenas do Flamengo.
Em 2005, quando a equipe caiu para a Segunda Divisão, a torcida atleticana teve a terceira melhor média de público, com 21.725 pagantes por jogo. Em 2006, quando o Atlético disputou pela primeira e única vez a Série B da competição nacional, a torcida bateu todos os recordes e atingiu a marca de 31.922 torcedores por partida, consolidando a melhor média de todas as divisões.
Se a torcida sempre esteve ao lado do clube, alguns dirigentes não. Após os fracassos na administração de presidentes como Paulo Cury, Ricardo Guimarães e Ziza Valadares, o Atlético teve sua imagem manchada com acúmulo de dívidas e contratações de fracos jogadores, o que foi determinante para a queda de rendimento dentro de campo.