Antes do início do Mundial da Alemanha, a seleção da Espanha ocupava lugar de destaque na bolsa das apostas e aparecia, ao lado de Brasil, Alemanha, Inglaterra e Argentina como uma das favoritas ao título da competição. Não era para menos, afinal de contas, tinha no elenco comandado por Luís Aragonês estrelas do quilate de Raul, Fernando Torres, Xabi Alonso e Casillas.
Com a bola rolando, no entanto, a história da “Fúria”seguiu a triste realidade que a persegue em sua trajetória nas 12 Copas (contando a de 2006) que participou, exceção feita à disputada no Brasil em 1950, quando conseguiu chegar em quarto lugar.
Desde 1934 a Espanha vem sofrendo com a síndrome das oitavas e das quartas-de-final, e em 2006 não foi diferente. Depois de iniciar a competição com uma arrasadora vitória por 4 x 0 sobre a Ucrânia e também somar três pontos contra Tunísia (3 x 1) e Arábia Saudita (1 x 0), os espanhóis entraram em campo com status de favorito para encarar a França, em Hannover, pelas oitavas-de-final.
O gol de pênalti marcado por Villa no primeiro tempo deu à equipe a falsa impressão do “agora vai”, mas, no final, a Espanha foi… foi novamente mais cedo para casa, pois não resistiu ao bom futebol e ao peso da camisa francesa, dando adeus ao Mundial da Alemanha com uma derrota por 3 x 1, de virada.
A derrota caiu como um raio sobre o grupo e atingiu em cheio o meio-campista Fábregas. “O jogo com a França foi difícil e não soubemos fazer nada para mudar a situação. Começamos bem, mas aquele gol minutos antes do intervalo pegou pesado. Estou me sentindo péssimo porque voltamos para casa como perdedores”, lamentou o jogador, que foi recebido por pouco mais de 50 pessoas no Aeroporto de Madrid.
A nova decepção prova que a Espanha, apesar de ter um dos campeonatos de clubes mais organizados do mundo e contar em seu país com astros como Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Beckham e Deco nos poderosos Barcelona e Real Madrid, ainda precisa caminhar muito na estrada para formar dentro do país uma seleção capaz de justificar o apelido de “Fúria”.
O primeiro passo já foi dado, pois a Federação Espanhola já avisou que pretende manter à frente da seleção o técnico Luis Aragonés, e dar força aos jovens talentos que despontaram no grupo, como o próprio Fábregas, Fernando Torres, Sérgio Ramos e Iniesta. A atitude foi aprovada pelos atletas.
“Temos que olhar para a frente. Agora estamos por baixo, mas temos uma geração jovem e com um muito futuro. Temos a Eurocopa pela frente e vamos continuar trabalhando duro em busca de títulos”, prometeu o atacante Joaquin.