A frase “filho de peixe, peixinho é” ganhou fama ao ilustrar as semelhanças entre pais e filhos que acabam optando por seguirem as mesmas carreiras e compartilhando do mesmo sucesso, ou, às vezes, do fracasso. Luis Cláudio Lula da Silva, filho do presidente da República, contraria em 100% o famoso jargão.
Apesar de ser herdeiro do político mais importante do país, Luis Cláudio não demonstra nenhuma afinidade com o assunto. Em conversa descontraída com a imprensa, Lulinha deixou clara qual a importância da política em sua vida: “Se eu fosse quantificar em porcentagem, seria 70% futebol, 20% comida e 10% dormir. Não gosto de política e não me envolvo com o assunto”, avisou.
Sua aversão com o assunto é tanta que Luis Cláudio se recusa até a ver o pai como presidente da República. “Não me vejo e não me sinto como filho do presidente. Tenho um relacionamento muito bom com ele, mas a figura do pai é o que tenho sempre em minha cabeça.” Cursando o sétimo semestre da FMU em Educação Física. Lulinha já é auxiliar de preparação física do Palmeiras, contratado pelos próximos dois anos a pedido do técnico Wanderley Luxemburgo. No futuro, pensa em acompanhar os passos do “mestre” e seguir carreira como treinador, perto ou longe do Corinthians, clube de coração de seu pai, outro apaixonado pelo esporte bretão.
Esses e outros assuntos foram abordados em um rápido bate-papo e darão à torcida do Palmeiras a chance de conhecer um pouco do perfil do futuro técnico Luis Cláudio Lula da Silva, o Lulinha.
Gazeta Esportiva.Net Como é ser filho do presidente da República?
Lulinha: Não me vejo e não me sinto como filho do presidente. Tenho um relacionamento muito bom com ele, mas a figura do pai é que tenho sempre em minha cabeça.
GE.Net: Mas como você administra algumas críticas que são feitas ao seu pai no âmbito político? Elas te incomodam?
Lulinha: Ninguém nunca falou nada na minha frente, mas cada um tem sua opinião. Só acho que não podem agredir a pessoa do Lula, a pessoa do meu pai, pois essa quase ninguém conhece.
GE.Net: Mas como você vê o seu pai como político? Ele é um bom presidente?
Lulinha: Eu realmente não vejo meu pai como político. Converso com ele muito, mas evito esse assunto, até porque não gosto e não me envolvo com política Se eu fosse quantificar em porcentagem, minha vida seria 70% futebol, 20% comida e 10% dormir.
GE.Net: E o Lula torcedor, apaixonado pelo Corinthians: como vê o filho trabalhando no arqui-rival do Alvinegro?
Lulinha: Acredito que ele queira me ver no Corinthians um dia, mas meu pai nunca me impôs nada. Ele quer que eu siga a minha vida e alcance minhas próprias conquistas. Quero passar por todos os grandes clubes do Brasil, pois quanto mais bagagem eu tiver na minha vida profissional, melhor.
GE.Net: Mas você pensa em trabalhar no Corinthians um dia? E seu coração, para que time bate mais forte?
Lulinha: Eu penso em trabalhar nos grandes clubes. Se o Corinthians estiver bem e eu tiver a oportunidade de trabalhar lá, não há motivos para não ir, mas se a estrutura não for a ideal, não irei apenas para agradar meu pai. Sobre meu coração, eu não tenho time. Torço para a equipe pela qual trabalho.
GE.Net: Você disse recentemente que quer seguir a carreira de treinador. Como é trabalhar com um dos melhores do Brasil, o Wanderley Luxemburgo? Já deu para aprender algo com ele?
Lulinha: O Luxemburgo é uma pessoa excelente e que gosta muito de ensinar, como é também o Antonio Mello (preparador físico) e o Filé (Nilton Petrone, fisioterapeuta do Palmeiras). Todos me receberam muito bem e estão me ajudando muito.
GE.Net: O técnico Luis Cláudio da Silva já tem um esquema tático preferido? De que forma vê o futebol?
Lulinha: Não quero falar sobre esses detalhes agora, pois ainda sou inexperiente no assunto. Não adianta nada falar que prefiro o 4-4-2 ou o 4-3-3, pois não sei se chegarei a um clube e terei os jogadores à disposição para este ou aquele esquema de jogo.
GE.Net: Para finalizar, conte um segredo: como seu pai se sentiu com a queda do Corinthians para a Série B do Campeonato Brasileiro?
Lulinha: Ele achou que foi bom para o Corinthians, que aconteceu na hora certa para o clube crescer. Lembrou que o Palmeiras caiu (em 2002) e voltou mais forte, com uma diretoria com mentalidade diferente. É essa troca de mentalidade que acredita que irá acontecer no Corinthians também.