Na pacata vila da Vargem Bonita, nos arredores do Park Way, o silêncio reina entre as ruas no meio da tarde.Uma calmaria que não dura muito, visto que, ao cair da noite, os estrondos dos tambores japoneses ecoam pelo Centro Cultural Nipo-Brasileiro do local.
Trata-se do ensaio do grupo RyuKyu Koku Matsuri Daiko, uma espécie de festival de tambores tradicional da cultura do país. “Nosso grupo surgiu há 30 anos em Okinawa, uma ilha no sul do Japão. Depois disso ele se espalhou pelo mundo e chegou também ao Brasil. Aqui foram abrindo filiais e nos somos a do Distrito Federal”, explicou um dos integrantes do grupo oriental, Felipe Ofujihara.
Felipe não é muito fã de futebol, mas acompanha jogos importantes como a estreia da Copa das Confederações entre Brasil, país onde nasceu, e Japão, terra natal de seus avôs. Diferente de sua irmã Lívia, que também faz parte do grupo e mostra conhecimento no time japonês, mas assume ter o coração dividido nessas horas. “Eu sei que tem o Honda na seleção do Japão. Eu sempre torço para as duas seleções. Vai dar empate”, comentou.
Mas, desta vez, os dois não poderão acompanhar o jogo. O grupo Ryukyu Koku será a primeira apresentação do festival Brasília Joga Junto – evento que custou R$ 5 milhões aos cofres públicos do DF- que acontecerá antes, durante e depois do jogo. “Além da nossa filial, na apresentação virá o pessoal de São Paulo, Campo Grande e Londrina, cerca de 60 integrantes”, explicou Felipe.
Grupo multiétnico
A cultura oriental é de fato intrigante para quem não está acostumado e, muitas vezes, apaixonante, inclusive para quem não tem qualquer laço.
Sem traços orientais e de sobrenome de origem francesa, Paulo Veil é o líder da filial local do grupo, que, além do jovem, conta com diversos outros integrantes que não têm qualquer ligação étnica com o país. “Muitas pessoas nos procuram pela curiosidade e pela beleza da cultura oriental. Eu mesmo já toco há algum tempo e é muito cativante”, comentou.
Quando o assunto foi futebol, Paulo não esqueceu do clube do coração e revelou o que espera da partida. “Eu gosto de futebol. Sou Vascaíno. Eu acho que o Brasil vai vencer, mas acredito que vai ser aquele 2 x 1 suado”, brincou.
Festa brasileira
Além de bancar shows no evento de sábado, Brasília resolveu fazer uma homenagem a todas as cidades-sedes da Copa das Confederações. Oito painéis representando cada uma das cidades que receberá o torneio foram colocados em ministérios, localizados no Eixo Monumental.
Carol torce para o Japão
Assim como Paulo, a integrante do grupo de Daiko Carolina Discheg também não tem nenhuma ascendência asiática, porém, na hora de escolher para quem torcer, a brasileira não titubeou: “Eu vou torcer para o Japão, tenho camisa e tudo mais. Vai ser 1 x 0”, disse.
A jovem morou por um mês no país e se mostrou apaixonada pelo País do Sol Nascente. “Fui para lá estudar a língua. Um médico de minha mãe indicou uma escola japonesa. E comecei a estudar, e fui passar um tempo lá”, comentou.
Brasileira de nascimento e japonesa de coração, assim Carolina se apresenta. “Desde pequena gosto da cultura. Quando fui, aprendi sobre cultura, religião, acho tudo muito bonito”, afirmou.